A perspectiva para a agropecuária mineira em 2016 não é nada favorável. O ajuste fiscal comprometerá algumas políticas públicas. O Seguro Rural não encontra um cenário positivo que garanta ao produtor acesso à subvenção num momento de instabilidade climática. Deve ser mais um ano difícil, uma vez que, em 2015, muitos agentes econômicos já reduziram ou perderam a confiança e é possível incorrer, ainda, em instabilidade de crédito rural, o que também dificultaria o planejamento da safra 2016/17.

A análise é da Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg), ao confirmar que o faturamento total do agronegócio mineiro em 2015 será de R$ 164,2 bilhões, um crescimento de 0,65% em relação a 2014, com os dados analisados até outubro deste ano. Os produtos agrícolas faturaram R$ 75,83 bilhões, crescimento de 0,06%, e os produtos pecuários, R$ 88,31 bilhões, crescimento de 1,16%. As exportações totais ficaram em R$ 6,17 bilhões, registrando queda de 8,13% em relação ao ano passado.

Para o presidente da Faemg, Roberto Simões, 2016 amargará resultados ainda piores, sendo que o momento deve ser de cautela para os produtores rurais. “Deve ser um ano de perdas maiores, com fenômenos climáticos mais vigorosos, conjuntura econômica desfavorável, aumento muito maior dos custos, com mais impacto da alta do dólar. Nossa orientação é que se foquem na gestão dessa nova safra, e que contenham investimentos”.

Há expectativa de maior intensidade do fenômeno El Niño e o aparecimento do La Niña, no segundo semestre, trazendo mais chuvas para as regiões Central e Nordeste do país e, infelizmente, favorecendo também a incidência de formação de geadas, tão temidas pelos cafeicultores.

De acordo com o balanço da entidade, será preciso acompanhar a evolução das chuvas neste final de 2015, e esperar volume mais consistente em janeiro do próximo ano.

Ele ainda destacou outros desafios para o setor, como a falta de segurança no campo, a necessidade de adequação dos produtores à legislação ambiental e problemas de infraestrutura, a importância do acesso dos produtores à tecnologia, uma vez que, para aumentar a produção sem expansão horizontal, será preciso maior produtividade e sustentabilidade, alcançadas por meio de pesquisa e assistência técnica aos produtores.

A análise da Faemg revela que há um forte temor relacionado ao possível corte de repasses ao Sistema S, também incluído no pacote de ajuste fiscal.

No agronegócio, o Sistema S está presente por meio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), que, somente em Minas Gerais, realiza anualmente mais de 300 cursos diferentes, abrangendo todos os segmentos de atividade. Ainda que as perspectivas sejam ruins, espera-se que 2016 seja um ano em que poderão ser construídas as bases para retomada do crescimento das diversas atividades econômicas. Assim, a execução de projetos de parceria público-privada poderá ampliar, especialmente, a infraestrutura, beneficiando o setor agropecuário.

Ajuste

Outras preocupações do presidente, já manifestadas anteriormente, dizem respeito ao ajuste das alíquotas mineiras de ICMS em relação aos outros estados e a adoção de uma política externa que vise ao desenvolvimento econômico do país.

Robeto Simões disse ainda que “no âmbito federal, há a necessidade de rever a política comercial externa. Precisamos investir em negociações que visem ao desenvolvimento econômico do país e a retomada do crescimento”.