O déficit hídrico vem provocando iniciativas como a do projeto Pró-Nascentes, que busca garantir a proteção e recuperação de nascentes no município de Arcos, região centro-oeste de Minas Gerais. Após diagnóstico feito pela Emater-MG, que apontou a redução do potencial hídrico da região, já foram protegidas, este ano, três nascentes na comunidade Prata Sobradinho, que abastecem os rios Candonga, Sobradinho e São Domingos.

Para realizar a proteção das nascentes, as áreas foram cercadas e houve o plantio de 800 mudas de espécies como muchoco, angico, ipê e cedro. Participaram do plantio representantes da Emater-MG, da Prefeitura de Arcos, Poder Judiciário, Polícia Ambiental e demais parceiros, com 50 alunos e professores. A expectativa é que, até o final de 2016, sejam protegidas mais 10 nascentes e plantadas mais mil mudas de espécies variadas.

O diagnóstico sobre os impactos do clima no meio ambiente, feito pela Emater-MG, identificou a redução de 55,7% da água do município. O estudo também mostrou a degradação de nascentes e áreas consideradas de recarga. “Essa é a parte da bacia em que, por diversos fatores, grande parte da precipitação (chuva) se infiltra no solo, recarregando aquíferos de forma direta e indireta e que, geralmente, afloram em forma de nascentes”, explicou o extensionista da Emater-MG, Zenaido Lima da Fonseca.

Captação e integração gerando sustentabilidade

O Pró-Nascente também visa melhorar a infiltração de água no solo, bem como a conscientização da população. As ações do projeto buscam ainda melhorar a infiltração de água no solo, tornando o lençol freático mais estável. Para isso foram desenvolvidas diversas ações em áreas de recarga.

Entre essas ações, a construção de 17 bacias de captação de águas de chuva e dois quilômetros de terraços, que são degraus/canais feitos ao longo de áreas de declive para a interceptação das enxurradas, facilitação da absorção da água, proteção do solo e combate à erosão. A expectativa é que até o ano que vem sejam construídas mais 500 bacias de capacitação e 20 quilômetros de terraço.

“O projeto pretende trabalhar a redução de desmatamentos, queimadas e incêndios florestais predatórios, definindo estratégias para a recuperação das áreas degradadas. Também visa o uso sustentável, ampliando as áreas de recarga e de preservação, assegurando a conservação do solo, fauna e biodiversidade”, diz o extensionista da Emater-MG, Irani Muniz Leão.

Integração

A Emater-MG também promove palestras para a conscientização da população. Nesses encontros são abordados temas voltados para a preservação da água, do solo e vegetação. Esse trabalho já envolveu cerca de mil pessoas, entre produtores, moradores da área urbana e estudantes. A ideia é promover a interação entre extensão rural, pesquisa, sociedade civil e instituições para gerar comportamentos sustentáveis nos agroecossistemas rurais e urbanos.

“Isso é fundamental para modificarmos os comportamentos antigos que não cabem mais pelo aumento da população, escassez e uso desordenado de recursos naturais. A nova geração de estudantes precisa ter mais contato coma a realidade e os agricultores mais contato com os estudantes”, afirmou Irani Muniz Leão.