Cerca de 30 famílias de agricultores da comunidade rural de São Roberto de Minas, em São João da Lagoa, no Norte do Estado, estão obtendo bons resultados com a produção e venda de produtos de uma horta comunitária. A horta foi aprimorada após receber recursos do programa ‘Brasil Sem Miséria’ e a orientação da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG).

As famílias se uniram na implantação de um projeto coletivo para revitalizar a infraestrutura de uma antiga área de plantio que tem um hectare. Além de colher as hortaliças para consumo, as famílias também começaram, em agosto, a comercializar o excedente da produção para ampliar a renda.

Segundo um dos extensionistas da Emater-MG que acompanham essas famílias, o técnico agropecuário Cláudio Freitas Oliveira, com recursos da ordem de R$ 12 mil, os agricultores cercaram a área de plantio, que tem 400 metros quadrados.

Eles também adquiriram uma caixa d’água de 10 mil litros para armazenar mais água a ser utilizada na irrigação. Entre as necessidades estava também a melhoria da tubulação de água, buscando corrigir os vazamentos e estender as novas redes em todo o terreno.

Outra iniciativa, já pensando na escassez dos recursos hídricos, foi a aquisição de vários tambores de plástico, para que cada família tivesse um mini reservatório em sua propriedade. Os agricultores compraram, ainda, regadores e insumos para serem utilizados na manutenção do plantio.

“Essa horta coletiva foi implantada em meados de 2005, mas os agricultores passaram por um período de muitas dificuldades. Os trabalhos somente puderam ser retomados e a horta reativada em 2012. Então, para que ela pudesse continuar funcionando, foram necessários esses aperfeiçoamentos. Agora, com esse projeto, viabilizado pelo ‘Brasil Sem Miséria’, as melhorias beneficiaram as cinco famílias diretamente envolvidas e outras 25 que também trabalham na horta”, explicou o técnico da Emater-MG, Cláudio Oliveira.

Programa

O ‘Brasil Sem Miséria’ é um programa do governo federal. Em Minas Gerais, é executado pela Emater-MG, numa parceria firmada entre o governo de Minas, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

O programa é direcionado aos brasileiros que vivem em lares cuja renda familiar mensal é de até R$ 70 por pessoa. De acordo com o Censo 2010, estão nessa situação 16,2 milhões de brasileiros. O programa repassa o valor de R$ 2,4 mil para cada família atendida por meio do cartão ‘Bolsa Família’, para a execução de pequenos projetos produtivos, como a implantação de hortas e a criação de pequenos animais.

Produtos orgânicos como diferencial

É grande a variedade cultivada pelos agricultores da horta comunitária de São João da Lagoa. Eles colhem cenoura, abobrinha, tomate, pimentão, alface, mostarda, couve, espinafre, cebolinha e coentro.

O plantio das hortaliças obedece ao sistema agro-ecológico, sem utilização de defensivos agrícolas e com o uso de adubos orgânicos. Toda a produção tem como foco principal a subsistência do produtor. Como a produção aumentou, o excedente está sendo vendido, gerando também renda para as famílias envolvidas. A comercialização é feita para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

A Emater-MG presta serviços aos agricultores contemplados pelo ‘Brasil Sem Miséria’ desde 2011, ano em que o programa foi criado. Até o momento, a empresa já atendeu a cerca de 10 mil famílias, mas o número será ampliado para novas 12 mil famílias no final deste ano.

Em recente reunião no MDS, foi apresentada uma proposta para o aumento do número de famílias a serem atendidas pelo ‘Brasil Sem Miséria’, em Minas Gerais. Na ocasião, o presidente da Emater-MG, Amarildo Kalil, destacou a importância do programa para o estado. “Esse programa promove a inclusão produtiva e proporciona a muitas famílias a oportunidade de deixar a pobreza e alcançar melhores condições de vida”, disse ele.

Para a ampliação das famílias a serem atendidas, algumas medidas terão de ser tomadas. O próximo passo, de acordo com Amarildo Kalil, será a realização de um amplo e detalhado mapeamento de todo o estado. O objetivo será a identificação das áreas com maior vulnerabilidade para as quais serão, então, destinados os atendimentos às famílias.