Ampliando sua capacidade produtiva para atender a outros mercados e garantindo pequenos, mas importantes conquistas em linhas de crédito do governo, a agricultura familiar vai se consolidando, mostrando sua força como uma das alternativas para a erradicação da fome no Brasil e o alcance da segurança alimentar sustentável.
 
Nesta quarta-feira (19), o ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, estará às 8h30, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), em Belo Horizonte, para anunciar novos incentivos do Plano Safra da Agricultura Familiar 2015/2016 para o estado.
 
O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) está fazendo o maior investimento já destinado a esse programa em seus 20 anos de história: R$ 28,9 bilhões para a produção agrícola familiar. O Plano Safra está disponibilizando aos produtores rurais R$187 bilhões, 20% a mais do que o ano passado. Em Minas Gerais, mais de 401,8 mil agricultores familiares possuem a Declaração de Aptidão ao Pronaf, instrumento que dá acesso ao crédito rural do Governo Federal, com juros abaixo da inflação.
 
Tamanha a relevância conquistada pelo setor, Minas Gerais passou a contar, este ano, com a Secretaria de Desenvolvimento Agrário (Seda), que vem cuidando especificamente da agricultura familiar. O setor representa 79% do total de estabelecimentos rurais do estado, respondendo por quase 80% dos 1,2 milhões de empregos gerados no campo e 32% do Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária.
 
Os números do negócio
 
São 430 mil propriedades mineiras de agricultura familiar que, na produção do estado, 47% do milho, 44% do arroz, 31% do café e 83% da mandioca. Só para se ter uma ideia, na CeasaMinas Contagem 55% do total de produtores que comercializam no entreposto são agricultores familiares. Na pecuária, o setor corresponde por 45% do leite captado, 34% do rebanho bovino, 30% do rebanho suíno e 28% do volume da avicultura. Além disso, no Brasil, Minas responde por 22% do leite e 67% do café produzidos pela agricultura familiar.
 
Para o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Minas Gerais (Fetaemg), Vilson Luiz da Silva, entre os muitos passos do setor, há de se ressaltar os avanços na desburocratização dos agentes financeiros. “Esse diálogo é muito importante, pois no passado era uma relação complicada”. No entanto, ele afirma que uma das metas é fazer com que todos os agricultores familiares tenham acesso ao crédito direcionado a eles. “Ainda há grande resistência dos agentes financeiros, por exemplo, com as mulheres que atuam no campo”, revelou.
 
O Censo Agropecuário de 2006 registrou que 47% da população rural é formada por mulheres, mas o dirigente avalia que esse número vem aumentando nos últimos anos. “A mulher do campo, hoje, não é apenas a figura que cozinha e cria os filhos. Com as tarefas compartilhadas com os homens, elas têm tido participação cada vez mais expressiva no setor. É importante que tenhamos claro que a agricultura familiar inclui a família como um todo, de maneira organizada e sustentável, com a participação de homens, mulheres e muitas vezes dos filhos e demais parentes”, comenta.
 
Dificuldades
 
Mesmo com as muitas conquistas, ainda são muitos os desafios enfrentados pelo produtor rural. “O caminho para superarmos as dificuldades é a organização da produção. Juntos somos fortes e conseguimos atravessar as barreiras que ainda existem no mercado, como a figura do atravessador”. Para o presidente da Fetaemg, o agricultor familiar tem de valorizar o associativismo. “Precisamos ser persistentes nisso. Só assim vamos conseguir melhorar as condições de vida e trabalho das pessoas do campo e, naturalmente, melhorar os nossos produtos para que cheguem com mais qualidade ao consumidor”, afirmou.
 
Outro assunto de relevância para o setor é a permanência do jovem no meio rural. “Precisamos ter garantias de uma boa educação, ações de saúde e esportes para que o jovem permaneça no campo. As mesmas condições exigidas nos grandes centros precisam ser oferecidas também no meio rural”, diz ele.
 
Patrus Ananias anuncia nesta quarta novos incentivos a Minas Gerais no Plano Safra 2015/16AgriMinas 2015 começa nesta quarta na Serraria Souza Pinto
 
O presidente da Fetaemg, Vilson da Silva, considera a segurança alimentar como um dos importantes trunfos da agricultura familiar, destacando a Lei 11.947/2009, que dispõe, entre outros, sobre o atendimento da alimentação escolar - R$ 1,6 bilhão para compras da agricultura familiar pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). “Há hoje maior valorização dos alimentos orgânicos e isso reforça a nossa importância em produzir alimentos saudáveis e de qualidade”. ‘Segurança alimentar – vida e cidadania’ é o tema da 9ª Feira de Agricultura Familiar de Minas Gerais (AgriMinas), que será aberta nesta quarta, às 16h, pela Fetaemg, na Serraria Souza Pinto, em Belo Horizonte. O evento vai até domingo (23).
 
A feira, que contribui com os produtores rurais na realização de negócios, contará com 130 estandes que vão comercializar produtos alimentícios típicos da agroindústria familiar e peças de artesanato sustentável. A capacitação aos produtores será oferecida por meio de palestras e cursos. A feira contará ainda com programação musical, que inclui shows de artistas regionais.
 
“A AgriMinas é uma vitrine para a sociedade, o consumidor e o mercado do potencial que é produzido pela agroindústria familiar mineira. A feira cumpre um papel importante ao trazer para o público o que há de melhor no setor”. Sobre a capacitação do produtor, o presidente da Fetaemg diz que a feira é uma grande oportunidade de crescimento. “É preciso que o agricultor familiar conheça o mercado, saiba como e para quem vender. Os encontros que oferecemos na AgriMinas geram diálogo e possibilidades de expansão”, completa.
 
Patrus Ananias anuncia nesta quarta novos incentivos a Minas Gerais no Plano Safra 2015/16Na agricultura familiar são revelados os sabores de Minas
 
Produtos tradicionais, como o queijo mineiro, o café, a cachaça e os doces não vão faltar na AgriMinas. No entanto, o pioneirismo e as inovações costumam chamar a atenção do público a cada edição. Esse é o caso dos agricultores do município de Dom Joaquim, na região da Serra do Cipó, que atuam na apicultura e produção de alimentos derivados do mel.
 
“O grupo reúne seis agroindústrias familiares, sendo que uma delas conta com um alambique. Como sempre temos uma sobra de mel em nosso modelo de produção, observei que tínhamos ali uma oportunidade para a criação de um novo produto a partir da estrutura que já dispúnhamos”, conta Francisco de Assis Souza, proprietário do Apiário Dom Joaquim. Surgiu, então, o Mé de Mel, aguardente que reutiliza cerca de 10% a 15% do mel destinado à apicultura e que, segundo o agricultor, garante um sabor diferenciado ao produto.
 
As geleias de frutas vermelhas orgânicas, bem como as frutas in natura servidas com leite condensado também serão um atrativo na AgriMinas. A produção é do casal Luis Antônio Lago e Rosana Lago, proprietários do sítio Juranda, em Campestre, Sul de Minas. “Temos geleias de amora, mirtilo e framboesa, produzidas com frutas puras e açúcar, sem nenhum aditivo químico”, garante Rosana Lago. A agricultora conta que a iniciativa de cultivar frutas e seus derivados veio da necessidade. “Nossa região é muito forte na produção do café. Porém, a queda no preço desse produto e a dificuldade de comercialização nos fizeram buscar alternativas. Hoje, as frutas e geleias são nosso negócio principal”.
 
Alimento e cura
 
Pouco conhecida, a castanha do baru, produzida no norte de Minas, também poderá ser encontrada na feira. Fruto típico do cerrado brasileiro, o baru tem alto valor nutricional e tem sido considerado um alimento medicinal, rico em ômega 3, 6 e 9. A produção é dos agricultores da Coopcerrado. A cooperativa de agricultores familiares é responsável pela produção e comercialização de uma série de produtos derivados do baru, como barras de cereais, cookies e roscas, os únicos certificados em todo o país.
 
Ponto a ponto
 
• Perfil da Agricultura Familiar no Brasil
• Ocupa 85 % dos imóveis rurais do país;
• Usa apenas 21% das terras cultivadas no país;
• Emprega 13 milhões de trabalhadores rurais;
• Garante 78% de empregos gerados no campo;
• Produz 60% dos alimentos consumidos pelos brasileiros;
• Recebe apenas 21% dos recursos destinados à agricultura;
• Movimenta R$ 160 bilhões por ano
 
Agriminas 2015

Data: 19 a 23 de agosto
Horários: quarta, das 16h às 22h; quinta e sexta, das 14h às 22h; sábado, das 8h às 22h; e domingo, das 8h às 18h
Local: Serraria Souza Pinto (Av. Assis Chateaubriand, 809 – Centro)
Ingressos: portaria do evento - R$ 6,00 (inteira) e R$3,00 (meia entrada para pessoas acima de 65 anos e menores até 14 anos)
Informações: http://www.fetaemg.org.br/agriminas2015
 
“Ainda há grande resistência dos agentes financeiros com as mulheres que atuam no campo” Vilson Luiz da Silva, Presidente da Fetaemg