A busca do consumidor por produtos saudáveis, sem agrotóxicos e cada vez mais ‘frescos’ tem obrigado o setor supermercadista a ampliar os espaços nas prateleiras a esses itens. A Superminas 2015, que será realizada de 20 a 22 de outubro, no Expominas, em Belo Horizonte, chega com novidades. Com a expectativa de receber mais de 55 mil visitantes e realizar negócios durante o evento e a partir dele de mais de R$ 1,3 bilhão, a feira terá as ilhas da Cachaça e do Vinho e Queijo, bem como os espaços de Frutas, Legumes e Verduras (FLV) e de Alimentos Funcionais, Orgânicos e Naturais, além das Cervejas Artesanais. O presidente da Associação Mineira de Supermercados (Amis), Alexandre Poni, falou sobre a participação do produtor rural no evento deste ano.

Qual a expectativa para a Superminas 2015?

A Superminas é realizada pela Amis e o Sindicato e Associação Mineira da Indústria da Panificação (Amipão). O setor de supermercados de Minas Gerais é o segundo maior do país e representa 11,3% do faturamento total do segmento no Brasil. São R$ 33,3 bilhões em números de 2014. O crescimento em Minas está um ponto percentual acima da média nacional. Em 2015, o setor não parou de investir em nenhum momento e deve abrir um total de 70 lojas, com R$ 300 milhões em investimentos durante o ano. Somam-se a esses números os dados do setor de panificação em Minas, parceiros na Superminas, com cerca de R$ 8 bilhões em faturamento. É esse o potencial e otimismo que a Superminas vai representar. Então, não tem como a expectativa não ser de um grande evento, com muitos negócios e participantes de todo Brasil.

Os supermercados fazem algum movimento para comprar direto do produtor rural?

Não há um movimento propriamente, algo recente, porque os supermercados sempre compraram direto dos produtores. Obviamente, em algumas categorias isso ocorre em maior volume e com mais frequência.

Os chamados produtos ‘direto da roça’ estão tendo vez nas prateleiras? Qual a maior dificuldade?

Sim. Sempre tiveram. A maior dificuldade é o produtor ter volume e qualidade para entregar diretamente aos supermercados com regularidade, sem que estes precisem recorrer a outros fornecedores.

O consumidor tem procurado, cada vez mais, por produtos saudáveis e orgânicos. Os supermercados têm acompanhado essa tendência?

Os supermercados não só têm acompanhado a tendência como têm incentivado a produção. Um exemplo disso, além das ações individuais das empresas supermercadistas, é o trabalho da Amis na Superminas, de reservar um espaço, a preços subsidiados, para exposição e comercialização desses produtos, não só os orgânicos, mas naturais, funcionais, etc.

O que o produtor rural precisa fazer para conseguir colocar sua produção nos supermercados?

Ter, sobretudo, a qualidade que o consumidor demanda e frequência na entrega, para que não haja rupturas, que é a falta do produto nas lojas.

A entrada nos supermercados de produtos da agricultura familiar poderia ser uma opção de preços mais em conta para o consumidor, principalmente nesse período de crise?

São dois assuntos a serem considerados. Primeiro, temos uma retração no consumo, mas não exatamente uma crise. Segundo, esses produtos já são ofertados nas lojas, ou em outros comércios, contribuindo com o abastecimento alimentar. Então, não creio que possam fazer essa diferença justamente pelo fato de já estarem inseridos no varejo de alguma forma.

A entrada de marcas próprias dos supermercados nas prateleiras contribui ou prejudica o setor?

Contribui. Muitos supermercados, para produzir suas marcas próprias, têm parcerias com produtores que recebem toda a assistência técnica e aportes financeiros para produzir e destinar às redes parceiras. São parcerias benéficas aos dois lados. Não vejo como trazer qualquer prejuízo ao produtor.

A Superminas 2015 terá algum setor dedicado ao agricultor ou a produtos ‘direto da roça’?

Sim. O setor de feira da Superminas é segmentado em ‘espaços’. Voltados para o produtor rural, temos o Espaço de Frutas, Legumes e Verduras (FLV); o da Cachaça e das Flores; além do espaço de produtos orgânicos e funcionais, que não é exclusivamente para o produtor rural, mas o abriga também.