Em plena metrópole, um dos bairros mais luxuosos de Belo Horizonte mantém características interioranas, exaltadas por muitos moradores. Tranquilidade, privacidade, integração social e silêncio são algumas qualidades apontadas por pessoas que escolheram morar no Belvedere, região Centro-sul da capital, divisa com o município de Nova Lima, e só saem do bairro para viajar, passear longe de casa ou por força de alguma necessidade. 

Por estar localizado em uma região alta da cidade, o nome escolhido para o bairro significa “Mirante, local de onde se desfruta de uma paisagem”. Nada mais adequado para descrever o bairro de onde se tem a mais bela vista de Belo Horizonte.

“Autossuficiência é outra grande marca do Belvedere, onde contamos com toda infraestrutura – de centros comerciais a escolas, hospitais e serviços diversos”, enfatiza o empresário Renato Pereira Filho, que mora no bairro há 14 anos. “Temos três ruas comerciais que oferecem de tudo aqui dentro. Só para serviços bancários temos 12 agências”, completa o presidente da Associação dos Amigos do Bairro Belvedere (AABB), Ubirajara Pires Glória.

O clima ameno da região envolve os cerca de 95 edifícios e 900 casas instalados no Belvedere. São aproximadamente 14 mil habitantes compartilhando de um trânsito quase tranquilo, a não ser pela estrutura viária deficiente no entorno, segundo os moradores. “Dentro do bairro é tranquilo, mas as vias de grande fluxo tornam o tráfego complicado para todos”, comenta Ubirajara. “Tem 20 anos que o poder público não faz uma obra estrutural viária aqui na região. A última foi a Raja. Falta também dar continuidade ao metrô, levando o sistema até o Morro do Papagaio. Isso também vai ajudar a melhorar o trânsito”, comenta Renato.

Ponto de convergência, a Praça Lagoa Seca é movimentada dia e noite, reunindo moradores e visitantes. É ali que um ilustre amigo do bairro treina os alunos que querem melhorar o condicionamento físico. O personal trainer Urbano do Santos Costas, morador do Centro, começou sua trajetória atlética no Belvedere, em meados dos anos 80. “A gente vinha pra cá porque é um ótimo lugar para treinar, por causa da altitude. Na época, era só terra, árvores, não tinha essa estrutura toda”, diz urbano que tem 39 anos de corrida e 16 alunos, “90%” do Belvedere. No ano passado, o atleta participou da Maratona de Paris, representando os amigos do bairro. “Viajei com o apoio dos amigos e empresas da região”, ressalta.

A funcionária pública aposentada Maria do Rosário Fonseca mora há 8 anos no bairro, que escolheu pela tranquilidade. “O silêncio, a integração entre as pessoas, que se solidarizam, o clima de interior, isso tudo faz do Belvedere o melhor lugar para viver e para quem quer envelhecer com tranquilidade e qualidade de vida em Belo Horizonte”, avalia.

 

Ubirajara preside uma associação que reúne 14 mil moradores, maior que muitas cidades do interior

GRANDE – Ubirajara preside uma associação que reúne 14 mil moradores, maior que muitas cidades do interior de Minas. FOTO: Eugenio Morais. FOTO: Eugenio Moraes/Hoje em Dia

 
E mais

Fundada em 2001, a Associação dos Amigos do Bairro Belvedere (AABB) implantou, há seis anos, a iluminação no entorno da praça Lagoa Seca, que passou a ser custeada pela prefeitura neste ano. Três funcionários da AABB cuidam da manutenção da área verde, que conta com várias espécies da fauna e da flora, com grande árvores plantadas e cultivadas pela associação, entre elas, ipês, cedros, oitis e três exemplares de chapéu mexicano, espécie rara em BH, segundo o presidente da AABB.