Se, atualmente, televisão e cinema são dominados pelos super-heróis, na década passada vampiros eram os protagonistas. Em muitas tramas, nem eram exatamente figuras do mal, mas seres com conflitos familiares e existenciais. Talvez por isso tenham caído no gosto do público, sobretudo o adolescente. Muito disso graças à estreia de “Crepúsculo”, em 2008. 

Foi justamente esse filme o primeiro contato com enredos vampirescos que teve a universitária Keice Avelar, de 23 anos. “Uma amiga falou dele e fui ao cinema para assistir. Logo depois, comprei os livros e passei a acompanhar tudo sobre os atores e a saga”, relembra. 

Aliás, a paixão pela história de amor entre um vampiro e uma humana foi tamanha que a estudante não se contentou apenas com uma leitura. “Eu era muito envolvida com a história, li os livros umas quatro vezes. Quando terminava o último, já começava a ler o primeiro novamente. Tenho os quatro DVDs dos filmes, revistas, arquivos no computador e camisas”, enumera. 

Na trama permeada por vários seres folclóricos, incluindo lobisomens, a jovem conta que o romance a fisgou. “Era aquela coisa impossível de acontecer, mas o amor forte e verdadeiro fez com que eles passassem por cima de tudo para ficarem juntos”, diz. 

A estudante acredita que a beleza física dos atores colaborou para o sucesso gigantesco da saga, que só no Brasil vendeu mais de 5 milhões de livros. “A mistura de amor, amizade e a disputa do Edward e do Jacob pela Bella trazia muita emoção à flor da pele”, afirma.

A simplicidade dos personagens é uma das forças da saga, acredita o assistente editorial Pedro Pinheiro. “Acho que ela dava, e ainda dá, espaço muito propício para fantasiar. Os personagens são simples o bastante e permitem que a gente projete muita coisa neles, então, é fácil se identificar”, pontua. 

Não por acaso, ele mergulhou na trama e produziu fanfics (ficções criadas por fãs, que utilizam história ou personagens já existentes) sobre a obra. 

“Crepúsculo era uma das minhas séries preferidas para escrever porque não me preocupava tanto em descaracterizar os sujeitos, já que havia essa simplicidade”, destaca. Ele explica que publicava as tramas em um site dedicado a produções inspiradas em “Crepúsculo”, o Twilight Brasil Fanfics. 

Para o fã, o sucesso alcançado pela série não teria o mesmo apelo nos dias atuais. “Muitas coisas passavam batido como relacionamento abusivo, machismo e até racismo. Acho que faria sucesso, mas não sei se seria tão generalizado quanto foi”, coloca. 

Crespúsculo

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Repercussão

Os livros que deram origem aos filmes foram escritos de 2005 a 2008 pela autora norte-americana Stephenie Meyer. A repercussão nos cinemas foi tão grande que alavancou a carreira dos atores que interpretaram os personagens principais e de muitos outros coadjuvantes.

Kristen Stewart (Bella) e Robert Pattinson (Edward) já tinham trabalhos anteriores na telona, mas acabaram realizando longas-metragens paralelos às gravações de “Crepúsculo”.

Entre o primeiro e o último filme da saga, Stewart fez outros cinco, incluindo “The Runaways” e “Branca de Neve e o Caçador”, no qual contracenou ao lado de Charlize Theron e Chris Hemsworth.

O par romântico na ficção de Kristen, Robert Pattinson, realizou os também dramáticos “Lembranças” – uma boa história dentro dos eventos do 11 de setembro – e “Água Para Elefantes”. Hoje, opta por tramas mais alternativas e bem longe da hype dos blockbusters.

Dentro do período de lançamento e das sequências, outros longas sob a temática sobrenatural foram lançados, como “Deixe-me entrar”, “Sombras da Noite” e “Dezesseis Luas”.

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