Tem gente que acusa o diretor húngaro Ferenc Torók de falta de sutileza, dizendo que ele carrega no maniqueísmo em 1945. Talvez não estejam sabendo ver seu filme direito. O longa que estreia nesta quinta (5), reabre cicatrizes da guerra. Começa num clima de festa, a celebração de um casamento. Quem está se casando é o filho de um importante funcionário do governo. É quando chegam esses dois judeus de barbas vetustas. Carregam caixas. Trazem o peso da culpa para os habitantes.

Logo, o que está em discussão é a herança da guerra. Como a população local se comportou em relação aos judeus - à sua deportação, ao seu extermínio? Reabrem-se velhas feridas. As reações variam do medo ao revide violento.

István, o funcionário que está casando seu filho, parece concentrar todo o mal - antissemita, machista, mantém-se no poder por força de intimidação.

O novo mundo após a guerra desenha-se sombrio - a noiva trai o marido, é odiada pela sogra. Ocorrem incêndios criminosos, chuvas redentoras. Tudo em preto e branco. É um filme bem melhor do que pesam seus apressados críticos.


As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.