Cecília Meireles (1901–1964) foi a fonte de inspiração para o novo disco de Consuelo de Paula, “O Tempo e o Branco”. Isso não quer dizer que a artista tenha musicado poemas. “Eu lia versos cecilianos e, imediatamente, já escrevia uma canção”, afirma a cantora mineira (de Pratápolis, no sul do Estado), radicada em São Paulo.

Desse exercício inspirado por vários livros de Cecília, surgiram 13 letras, sendo duas musicadas pela própria Consuelo e as outras enviadas para seu grande parceiro Rubens Nogueira, morto em 2012, após uma cirurgia no coração.

Para compor a sonoridade do álbum, Consuelo decidiu ir atrás de uma simplicidade maior do que havia sido apresentada nos trabalhos anteriores. Contou com apenas dois músicos: Toninho Ferragutti, no acordeom, e Neymar Dias, na viola.

“Além de combinar na imagem com as teclas brancas e pretas, o acordeom tem uma sonoridade que resume bem o disco. Parece que há uma orquestra dentro do instrumento, tamanhas possibilidades que ele oferece. Além disso, foi um instrumento que pôde dar um contraste com o lirismo da poesia”, explica a artista.

Somado à viola, o acordeom deu ao trabalho uma sonoridade interiorana que combinou com as letras que tratam de amor, cotidiano e um tempo tranquilo. “Enquanto as letras alcançam um lirismo poético, os instrumentos nos levam para a terra, para o chão e dialogam com as nossas fronteiras”.

O título da obra possui um lirismo ligado tanto à autora quanto à poeta que a inspirou. “Percebi que havia uma cor branca guiando esse trabalho. Tive a ideia do título quando me deparei com um ipê branco e o chão em sua volta tomado por folhas brancas. Foi um momento de extrema generosidade da natureza, uma imagem que faz referência a várias simbologias”.

Argentina

Acompanhada apenas por dois instrumentistas, Consuelo de Paula acredita que terá mais facilidade para circular com novo repertório em 2015. Além das principais cidades brasileiras, ela quer explorar o exterior. Especialmente a Argentina, onde morou por seis meses e é muito bem recebida.

“Quero muito levar esse show para Buenos Aires, porque esse disco tem uma rítmica que dialoga com as nossas fronteiras. Lá é onde estão as minhas melhores histórias. Já me apresentei no Teatro Cólon, que é o maior da cidade, e vivenciei uma receptividade enorme. Eles gostam muito da música brasileira lá”, assegura ela.