“A vida não está fácil pra ninguém. Bora dar um relax?” No refrão da faixa que abre seu novo álbum, “Pancadélico” (Sony), o Jota Quest dá o seu recado: continua dançante, bebendo da água do funk clássico americano, mas sem deixar de falar do cotidiano brasileiro.

Quem curtiu “Funky Funky Boom Boom”, o disco lançado em 2013, certamente vai gostar do novo. O resultado daquele trabalho foi tão bacana que o quinteto resolveu repetir a dose e convidar o americano Jerry Barnes para a produção – integrante do Chic, ele é um dos grandes nomes do funk nos EUA.

Outro nome que aparece aqui novamente é Nile Rodgers, o grande guitarrista americano – também integrante do Chic – que voltou a ser falado mundialmente ao realizar parcerias de sucesso com o Daft Punk, como o hit “Get Lucky”.

“O ‘Pancadélico’ vem na mesma direção do ‘Funky’, mas extrapola isso. Tanto na temática, quanto na sonoridade. Aqui, as canções têm outros formatos, não só da pegada do funk. Temos também um reggae, umas baladas de rock”, diz o guitarrista Marco Túlio Lara, sobre o oitavo trabalho da banda mineira. “Acredito que é o disco que melhor representa a história do Jota, pois mistura black music, rock e pop, com uma dosagem mais temperada”.

Assista à Blecaute ft. Anitta, Nile Rodgers:

#souminasgerais

Os shows de lançamento do novo álbum só acontecem após o Carnaval, mas quem foi ao show beneficente “#SouMinasGerais”, na Esplanada do Mineirão, já sentiu um pouquinho da energia do novo repertório – a música “Blecaute”, gravada com Anitta e Nile Rodgers, estava na apresentação. Um dia para ficar na história da banda, pois foi a oportunidade de tocar junto com Milton Nascimento, Caetano Veloso e outros artistas interessantes.

Melhor ainda porque o Jota soube assumir bem o papel de anfitrião e dar um recado contundente sobre a tragédia em Mariana. “Eu não vivi a ditadura, mas vivi (Fernando) Collor, inflação, a chegada do PT ao poder. O Jota não é alienado em relação a isso, a gente fala sobre essas questões como em ‘La Plata’, ‘Na Moral’ e ‘De Volta ao Planeta’. Só que a gente fala nas músicas do nosso jeito, com humor e ironia”.