Há 25 anos, Ross, Rachel, Monica, Chandler, Phoebe e Joey se reuniam, pela primeira vez, no Central Perk. Sentados no icônico sofá da cafeteria, os seis amigos se tornaram uma das figuras mais icônicas da televisão mundial ao protagonizarem o seriado “Friends”. 

Com um sucesso inegável durante o período em que foi exibida pela primeira vez na TV – com média de 20 milhões de espectadores por episódio somente nos Estados Unidos – a série está bem longe de ter caído no esquecimento. Mesmo depois de tanto tempo, “Friends” é ainda uma das mais assistidas do mundo. 

Não por acaso, a Netflix paga um valor milionário para mantê-la no catálogo. No último acordo feito entre a empresa e a Warner Mídia, foram u$ 100 milhões desembolsados. E os fãs não querem nem ouvir falar de ficar sem acesso aos episódios. Apenas o rumor da saída de “Friends” do serviço de streaming mobilizou cerca de 90 mil assinaturas em uma petição online no início do ano.

Mas o apelo da produção não fica evidente só nas cifras que envolvem a exibição da série ou no clamor dos fãs. “Friends” continua marcando presença em premiações e engordando a lista de troféus. O mais recente deles foi conquistado no último dia 11: “Melhor Série Antiga”, no Teen Choice Awards, ou seja, na escolha dos adolescentes. 

Para o estudante de veterinária e fã da série Gustavo Fonseca, 26 anos, todo esse sucesso de público pode ser explicado pela fácil identificação com os personagens. “Eles passam por dramas que são fáceis de serem relacionados com a nossa vida”, pontua ele, destacando, também, a temporalidade das discussões levantadas pela série, que giram em torno de questões amorosas, profissionais e da vida adulta. 

Com a mesma idade da série, a estudante de letras Mariana Nascimento reforça o coro e aposta na identificação do público como um dos ingredientes para o sucesso da série. “É engraçado porque o mundo mudou muito e muitas piadas e valores que a série propagava não são mais os mesmos. Mas ‘Friends’ tem ma história inovadora, com personagens heterogêneos, mas que a gente se identifica com facilidade”.

Para ela, o apelo nostálgico é outro fator que corrobora o sucesso de público. “Tem aquela coisa de ver como era a vida naquela época, o que é muito interessante”, diz. 

Editor-chefe do site Série Maníacos, Michel Arouca destaca outro aspecto que contribui para a boa audiência de “Friends”, principalmente nos dias atuais: o formato curto dos episódios. “Existe uma leveza na forma como a série é contada e isso funciona perfeitamente para o streaming e para as maratonas. São episódios de 22 minutos perfeitos para relaxar e dar risadas”, observa.

Com tanta força entre o público e a crítica – em 2018, “Friends” foi premiada pela TCA (Associação de Críticos de Televisão dos Estados Unidos) pelo legado – é difícil alguma série alcançar o mesmo patamar da produção. 

“Game of Thrones poderia ser essa série marcante, mas ficou manchada com o final e agora vai ser mais lembrada por isso que por qualquer outro grande feito. ‘Breaking Bad’ vai continuar gerando conversas por anos, mas atualmente não acredito que exista uma comédia que consiga se manter relevante em 25 anos”, aposta Arouca. 

Comemoração

Com espaço garantido no coração – e nos televisores, computadores, celulares e tablets – do público, os 25 anos de “Friends” não poderiam passar despercebidos. O aniversário da série ganha celebrações em diversos campos. Uma delas é uma exposição imersiva em São Paulo, organizada pela Warner.

Com dois andares recheados de cenários, objetos e referências à série, a mostra ficará em cartaz de 18 de setembro a 6 de outubro. Os ingressos, a R$ 30, começaram a ser vendidos na quarta-feira. 

O Central Perk, ponto de encontro dos protagonistas na série, também inspirou uma linha especial de cafés. Para os fãs que gostam de colecionáveis, “Friends” também ganhou edição especial de Lego, com mais de mil peças, que incluem os cômicos protagonistas e cenários da série.