Já fazem quase 50 anos desde que o Festival de Inverno da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) aconteceu pela primeira vez. Ao longo das últimas cinco décadas, o evento acompanhou as diversas mudanças políticas, sociais e culturais do Brasil, mantendo, apesar de tudo, o foco na formação artística. E, assim, resistiu bravamente. Para celebrar a resiliência e a vocação criativa, a 49ª edição do Festival de Inverno, cuja programação vai até o próximo sábado, abraçou o mote de “Poéticas de transformação: Criação e Resistência”.

Diretora artística do festival, Mônica Ribeiro explica que o guarda-chuva temáticosurgiu do próprio histórico do evento. “Queríamos um tema que de alguma forma sintetizasse uma característica comum a todos as edições realizadas até então”, conta. “Estudando os programas dos festivais antigos, percebemos a ênfase no processo de criação e na resistência política. Afinal, o festival manteve-se firme, apesar das dificuldades políticas e financeiras que enfrentou ao longo dos anos”, afirma, lembrando que, desde 1967, o Festival de Inverno da UFMG só não aconteceu nos anos de 1980 e 1984. 

De acordo com Ribeiro, o espaço de experimentação que o festival proporciona foi primordial para o nascimento de icônicos grupos artísticos de Minas. “Importantes grupos de Minas foram gestados no festival, como o Galpão, o Corpo, o Giramundo, o Uakti e a Oficina Multimedia”[/TEXTO], afirma. “O Festival de Inverno foi muito transformador para a vida de vários artistas mineiros. Como a programação era muito extensa e acontecia em cidades pequenas, isso mexia com a vida das pessoas que queriam trabalhar com arte”, explica a diretora.

Programação

Definida o recorte da 49ª edição, os curadores do festival começaram a definir a programação, que começou na última sexta-feira. “Procuramos chamar artistas que tinham como característica a experimentação e a pesquisa. E que tinham discursos incisivos”, conta Mônica Ribeiro. “As residências também foram pensadas com foco na criação. E apostando, também, no risco. Porque sempre que se trabalha com experimentação, se trabalha com o risco. Experimentar possibilidades e articulações é o que interessa. O que vai sair disso, nós não sabemos”, sublinha.

No que toca a programação artística, Ribeiro destaca os shows de dois cantores de diferentes gerações e berços: o mineiro Marcelo Veronez, que apresenta o disco “Narciso Deu Um Grito” hoje, no auditório da Reitoria; e a veterana paulistana Mônica Salmaso, que interpreta canções de Vinícius de Moraes amanhã, no mesmo local. 

A música brasileira continua na quinta-feira, quando o cantor e compositor mineiro Serginho Beagá se apresenta na Praça de Serviços. “Na sexta-feira, teremos o espetáculo ‘Pai contra Mãe’, da Cia Fusion de Danças Urbanas, que acontece no bosque da Música, ao ar livre”, ressalta Ribeiro. “No sábado, teremos um dia de hip-hop, com os shows de Zaika dos Santos e de Tamara Franklin e Douglas Din. E encerramos com o espetáculo teatral ‘Isso te interessa?’, da Cia Brasileira de Teatro”, finaliza.

Serviço: 49º Festival de Inverno da UFMG. Shows de Marcelo Veronez e Mônica Salmaso. Terça (1º) e quarta-feira (2), às 19h30, no auditório da Reitoria (av. Antônio Carlos, 6.627, Pampulha). Entrada franca. Programação completa em: www.ufmg.br/festivaldeinverno.