Muita coisa já foi dita, escrita e documentada a respeito do Iron Maiden. Mas seria raso rotular “2 Minutes to Midnight: Atlas Ilustrado do Iron Maiden – O Definitivo e Mais Completo Guia Sobre a Banda” (Ed. Valentina) como apenas “mais um livro” sobre a lenda inglesa. Beirando o formato antologia, a obra (lançada no Brasil em dezembro de 2019) traz, ao longo de 256 páginas, uma cronologia deste que um dia foi um promissor grupo da New Wave of British Heavy Metal (NWOBHM) – sigla em inglês para Nova Onda do Heavy Metal Britânico, que marcou um boom de bandas do estilo no fim dos anos 70 e início da década de 80 – e se tornou uma das mais célebres e seminais instituições da história da música.

 “Essa é a banda que celebramos, de uma forma diferente, bem longe de uma narrativa tradicional, principalmente porque os caras são sempre tão acessíveis, e sua história já foi contada, não necessariamente tantas vezes no formato de livro, mas através de pilhas de entrevistas em revistas e pela internet”, destaca o autor do atlas, o canadense Martin Popoff, em um dos textos do livro.

Detentor no passado do rótulo de “o mais famoso jornalista de heavy metal do mundo”, por conta do trabalho desempenhado em publicações como Brave Words & Bloody Knuckles, Revolver e Guitar World, além de outras empreitadas, Popoff procurou traçar uma linha do tempo que não reúne apenas fatos inseridos na trajetória do Maiden.

Iron Maiden

A obra reúne histórias e tópicos desde os primórdios do conjunto, em meados dos anos 70, até 2013, tendo como “último capítulo” a fabricação da cerveja premium da banda, a Trooper (9 de abril de 2013). O fã do Iron é então transportado para revisitar ou conhecer a história dos ingleses por meio de entrevistas de integrantes e ex-membros da banda, concedidas a publicações como M.E.A.T., Circus, Brave Words & Bloody Knuckles e Metal Hammer, fatos e fotos promocionais, imagens de shows, capas de discos, patches, camisetas, cartazes de shows etc.

O interessante é que a obra não se restringe a uma linha do tempo tradicional. Indo além, Popoff também retrata fatos que aconteceram em séculos e milênios passados e que têm a ver com o Maiden de alguma forma. Exemplo: a primeira linha desta cronologia data de 2.500 a.C., com a citação dos deuses da mitologia egípcia Hórus e Osíris em textos das pirâmides. Tais entidades estão presentes na letra de “Powerslave”, clássica canção do homônimo disco de 1984.

Outros episódios históricos se juntam a essa coletânea, como a jornada de Alexandre, o Grande, e o discurso de Winston Churchill em 1940, e publicações de obras de William Shakespeare e Edgar Allan Poe, entre outros assuntos que serviram de inspiração à Donzela.

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Há ainda datas que remetem ao nascimento daqueles que passaram pelo grupo, empresários e artistas de capas dos álbuns, como Derek Riggs.

O livro também enfatiza alguns fatos envolvendo bandas que influenciam o Maiden, vide Deep Purple, Uriah Heep e Rainbow em diferentes épocas.

Em suma, um item obrigatório aos colecionadores de carteirinha deste incônico grupo que continua a produzir e a lançar álbuns de relevância, como “The Book of Souls” (2015) – que, inclusive, rendeu um giro que passou por Belo Horizonte em 2016 – e continua a influenciar gerações ao redor do globo: Up the Irons.

OUTRAS OBRAS SOBRE O IRON MAIDEN

Iron Maiden: Run to the Hills – A Biografia Autorizada (2001, primeira versão), de Mick Wall

De autoria do renomado jornalista e escritor Mick Wall, esta biografia enfatiza o Maiden desde suas origens nos pubs de Londres, passando pelo fenômeno que se tornou na década de 80, as dificuldades da década 90, até chegar aos anos 2000.

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Bruce Dickinson: Uma Autobiografia – Para Que Serve Esse Botão? (2017), Bruce Dickinson

Esta autobiografia do vocalista do Iron Maiden abrange momentos da infância e da adolescência, a trajetória na música e outras aptidões de Bruce, que, além de cantor, é professor de história, esgrimista, piloto de avião, mestre cervejeiro, radialista, jornalista e empresário.

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