"A Floresta de Jonathas" busca retrato menos estereotipado da Amazônia

Paulo Henrique Silva - Hoje em Dia
03/01/2014 às 07:47.
Atualizado em 20/11/2021 às 15:07
 (Rio Taruma/Divulgação)

(Rio Taruma/Divulgação)

Uma floresta cheia de vida que assume ares de divindade, paradigma da ideia judaico-cristã de Deus – ao mesmo tempo que dá, ela também tira. É esse olhar que se sobressai no filme “A Floresta de Jonathas”, uma das estreias desta sexta-feira (3) nos cinemas de Belo Horizonte.

Dirigida por Sérgio Andrade, a produção transforma a floresta amazônica num personagem à parte na busca por um retrato menos estereotipado da região. “Ela tem várias sentimentos, podendo ser perigosa, fascinante, misteriosa, cruel e até ciumenta”, observa o realizador.

Viagem sensorial

Andrade registra que a floresta é tão poderosa e mística que, muitas vezes, trata os humanos como pecadores, punindo-os severamente.

Esse lado humano é representado principalmente pelo Jonathas do título, um jovem que ajuda seu pai numa barraca de frutas típicas à beira da estrada.

Ao lado do irmão e de uma turista americana, ele entra na floresta para acampar, culminando numa viagem sensorial. “Ele descobre uma relação de simbiose com aquele meio, tirando seu sustento dela e, ao mesmo tempo, perdendo todos os seus sentidos”, assinala Andrade.

“Não é a história de um rapaz que se perde na floresta, mas de seu envolvimento com a floresta. O que eu quis mostrar no filme é uma zona intermediária entre a floresta mítica e profunda e a cidade, com cada uma se buscando na outra”, analisa o realizador amazonense, estreante em longas-metragens.

O roteiro partiu de um acontecimento real, sobre um garoto que vai passar temporada no sítio do pai e resolve caçar sozinho, para mostrar coragem, e acaba de perdendo. “As questões do desaparecimento dele e do reencontro com o pai são mantidas no filme, mas o desenvolvimento é bem diferente”.

A história é contada em duas partes, a primeira documental, de estilo mais seco e que serve para apresentar os personagens, e a segunda onírica, quando eles se embrenham na floresta. “Ela vai se tornar o maior personagem, entrando na narrativo aos poucos e absorvendo os outros”, destaca Andrade.

Quando a floresta toma o plano central, a narrativa se solta, perdendo o contato com a realidade. Num determinado momento, os humanos olham diretamente para a câmera. O filme flerta com o realismo fantástico, remetendo ao estilo do diretor tailandês Apichatpong Weerasethakul (“Tio Boonmee”).

Para o diretor, que também assina o roteiro, ser fiel à vida dos amazonenses é mostrar a difícil convivências com os mundos urbano e rural, preocupação que também estará presente em seu segundo longa, “Antes o Tempo Não Acabava”, sobre um humano (um índio) que faz o caminho inverso, se perdendo na cidade grande.

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