Eles fizeram uma revolução quando resolveram mexer com as estruturas do samba, algo que predispõe boa dose de coragem. O Fundo de Quintal - antes mesmo de Beth Carvalho pressionar sua gravadora a lançar os meninos que descobrira em uma quadra de escola de samba nos confins de Ramos, zona norte do Rio - inventou de mudar tudo. Almir Guineto veio com o banjo, importado da música country norte-americana, e Ubirany, irmão de Bira Presidente, criou o repique de mão (recortando ainda mais a percussão sem a deixar embolada). O formato Originais do Samba, de pouca harmonia e muito batuque, além de um suingue de sambalanço incessante, não daria mais as cartas a partir daquele instante. O partido-alto, que já existia, parecia ter sido inventado ali.

Um reencontro no palco, nesta quinta-feira,  (27), a partir das 20h, vai narrar parte da história. Ver Jorge Aragão e Fundo de Quintal no Allianz Parque é assistir às origens. Jorge estava lá quando tudo começou, na primeira formação, ao lado de Almir Guineto (os dois saíram em 1981 para seguir suas carreiras solos).

"Seguimos caminhos diferentes, mas não deixamos de ser amigos", diz Ubirany. A ligação do grupo com a quadra Cacique de Ramos, onde estavam também Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz (que passou a fazer parte do grupo com a saída de Almir Guineto) e Sombrinha, não é mais política. "Eu fui vice-presidente de lá por 33 anos, mas os compromissos com o grupo eram muitos", lembra o percussionista. Bira, seu irmão, segue na presidência vitalícia.

Ele fala sem poder contornar a madrinha, Beth Carvalho, morta em 30 de abril. "Foi ela quem acreditou em nós quando ninguém nos conhecia. Existimos graças a Beth."

O show de hoje será em duas partes. Aragão faz a primeira, a partir das 20h, e depois sobe o Fundo, às 22h. Eles vão se encontrar no palco em algum momento. O formato da casa será de 'hall', quando a pista e o palco diminuem. "Vamos contar nossa história", diz Ubirany. "Só felicidade e muito samba no pé."