“Três cavalos encantados, dois irmãos ciumentos e um rapaz corajoso”. O novo título de Ana Cretton (Zit Editora) é um convite para tirar os pés do chão e mergulhar no mundo da imaginação assim como fazem os contos de encantamento. As imagens do livro, trabalho em aquarela do ilustrador André Côrtes, são inspiradoras e remontam a cenário onírico, com direito a céu estrelado, sol, lua, cavalos que voam, rei, princesa e castelo de tons lavados e colorido pastel.

“Ele (André Côrtes) trabalha muito bem com aquarela. As pessoas puderam se deleitar no dia do lançamento com as imagens do livro que foram mostradas em tamanho grande”, conta Ana Cretton, que pela primeira vez fez parceria com André Côrtes.

E, como reza um velho costume, de roda em roda, de boca em boca, as histórias populares se propagam e fazem crianças, jovens, adultos, gente de todas as idades sonhar alto, fantasiar... Em “Três Cavalos encantados, dois irmãos ciumentos e um rapaz corajoso” não é diferente. O livro reúne situações que se repetem em várias outras narrativas que o povo cria e conta, como a viagem de Pedro, o herói que sai pelo mundo afora disposto a ajudar aqueles que precisam sem pedir nada em troca. A atitude do corajoso rapaz revela generosidade, que é recompensada nos momentos em que tem que enfrentar desafios para alcançar metas difíceis.

 

CONTADORA DE HISTÓRIA

“Trabalhei durante muitos anos em biblioteca escolar e sempre que eu contava essa história, os alunos amavam, faziam desenhos dos cavalos. A gente sabe quando uma história é preferida das crianças”, afirma a autora e contadora de história se referindo ao conto popular que deu origem ao seu novo título.

Um parênteses para acrescentar que Ana Cretton é integrante do Confabulando Contadores de História, grupo de tradição oral criado em 1994 e que realiza sessões de histórias e oficinas em universidades, escolas públicas e particulares, bibliotecas, livrarias, museus, centros culturais e feiras de livros. A autora carioca conta a história de “Três cavalos encantados...” há cerca de 20 anos.

“Não criei a história do livro; é um conto popular no qual encontrei duas variantes. A que mais me inspirou foi de um pescador de Cabo Frio, que se chamava Antônio de Gastão (ícone da cultura popular cabofriense). Faço referência a ele no final do exemplar. Antônio de Gastão era muito talentoso: bonequeiro, fazia letras de música pra Carnaval, esculpia e também era pedreiro. Enquanto ele fazia casa, contava causos e histórias”.

De todas as narrativas de Antônio de Gastão, a “História do Cavalo das Estrelas” foi a que mais chamou a atenção de Ana Cretton. “Daí, ela (história) entrou para o meu repertório”.

A autora reforça o lado encantador da trajetória do herói, que tem desafios pela vida; tem objetivo e quer atingir os mesmos. “É uma metáfora da vida. O herói vai lidando com os desafios que aparecem e com alguma ajuda, às vezes, do reino encantado, do maravilhoso. Embora ele (herói) encontre pessoas que querem atrapalhar o caminho dele”.