“Vermes”, “astronautas” e “América Latina”. Esse é o instigante tripé temático que balizou os trabalhos reunidos na próxima edição da revista “A Zica”. Editada em Belo Horizonte por João Perdigão, Luiz Navarro e Marcos Batista, a publicação independente reúne artistas de todo o país, de diferentes linguagens, com atenção especial para os quadrinhos e as artes visuais underground. Criada em2010, a revista chega a seu quinto número com uma edição especial, que será lançada no sábado (22), na Galeria Mama/Cadela. Na ocasião, haverá ainda uma exposição gráfica e audiovisual e um show do trio de gipsy jazz Yeka.

Viabilizada por financiamento coletivo, “A Zica #5” reúne trabalhos de 64 artistas, entre quadrinistas, artistas plásticos e ilustradores. Na lista, estão mineiros como Desali, Binho Barreto e Paola Rodrigues; os gaúchos Diego Gerlach (que assina a capa), Adão Iturrusgarai e Allan Sieber; os paulistanos Benson Chin e Ricardo Coymbra; e até um nome internacional, o quadrinista mexicano Nava. “‘A Zica’ sempre misturou novos talentos com artistas de trajetória reconhecida. A ideia é privilegiar a arte e o tema, e não os nomes. Tanto que apagamos as assinaturas dos trabalhos, deixando os nomes todos juntos numa mesma página, no final”, explica João Perdigão.

Para Luiz Navarro, um capítulo à parte é a escolha dos três temas – que já passaram por “bullying”, “apocalipse”, “vandalismo”, “dinossauros”, entre outros. “É o momento mais divertido da revista. Surgem temas que a gente acha geniais num primeiro momento, mas depois percebemos que podem ter armadilhas, que podem não funcionar”, conta. “Nesta edição, o verme traz um tom divertido, nojento, nonsense; o astronauta tem uma carga mitológica forte, muito repertório na cultura pop e grande potencial imagético e iconográfico; e a América Latina traz uma reflexão sobre a nossa identidade, importante para neste momento crítico do país”, reflete o editor.

Capricho e subversão

Navarro ressalta ainda o projeto gráfico assinado por Matheus Ferreira e Bruno Rios. “Queríamos fazer uma edição especial e conseguimos, com mérito grande dos designers. Ainda encartamos pôsteres e stickers, que era uma vontade antiga”, afirma, lembrando o foto-livro de Matheus Sá Motta, que acompanha a publicação. “Quando começamos o mercado era muito tacanho. As publicações foram ficando mais caprichadas, se sofisticaram. Hoje, ter uma revista é um fetiche”, completa Perdigão. 

Sobre a importância de continuar editando a publicação – que estava hibernada desde 2015 – Navarro é taxativo. “Manter uma revista independente e coletiva é, por si só, um ato político. Não precisa ser panfletário nem levantar bandeiras”, afirma. “‘A Zica’ nasceu para ser um contraponto à caretice e ao conservadorismo; para provocar a reflexão sobre o nosso papel do mundo. E a gente é ‘zueiro’ mesmo. O humor é uma forma de fazer política, com um potencial de subversão muito grande”. 

Serviço: Lançamento “A Zica #5”. Sábado (22), das 14h às 22h, na Galeria Mama/Cadela (rua Pouso Alegre, 2.048 – Horto). Entrada franca. A revista será vendida pelo preço promocional de R$ 30.