O humor de Adam Sandler só está piorando. E não estamos falando do comportamento do comediante americano fora das telas. Seus filmes estão cada vez mais dependentes de piadas escatológicas e sexistas, como comprova “Juntos e Misturados”, outra estreia desta quinta-feira (17).

A presença de Drew Barrymore no elenco ajuda a visualizar esse quadro descendente, já que a atriz trabalhou com Sandler no início de sua ascensão como chamariz de bilheterias, em “Afinado no Amor” (1998), e quando buscou outros tipos de comicidade, em “Como Se Fosse a Primeira Vez” (2004).

Esses dois longas são comédias românticas que abordam o homem deslocado em seu tempo, marca registrada de Jerry Lewis e combustível para os primeiros filmes de Sandler, e os desencontros amorosos, em que o astro chegou a experimentar até mesmo na forma de drama (“Embriagado de Amor”).

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Em “Juntos e Misturados”, ele prossegue investindo na linha de “Gente Grande” e “Cada um Tem a Gêmea que Merece”, todos eles, por sinal, pontuados com piadinhas sobre flatulência. Sandler vive o mesmo personagem: um americano típico, machista, apreciador de sanduíche e esportes.

No novo filme, vive um viúvo que segue com suas três filhas para um hotel na África, para onde vão a divorciada interpretada por Drew e seus dois filhos problemáticos. Os pais, a princípio, não se suportam, mas logo verão que um completará a vida do outro no que diz respeito a relação com as crianças.

O personagem de Sandler será responsável por injetar o lado machista nos filhos dela, enquanto Drew ministrará toques femininos e maternos para as garotas dele. O mote não é nada mal, assimilando a fórmula consagrada dos pombinhos que custam a aceitar que se amam.

O problema está na maneira como transforma essa receita em humor, sem qualquer sutileza, partindo facilmente para a apelação mais gratuita. O diretor Frank Coraci (de “Afinado no Amor” e outros três filmes com Sandler) exibe um timing equivocado, não sabendo o momento de interromper as cenas.