Adriana Calcanhotto sempre teve um fascínio inegável pelo mar. Tanto que o tema já deu origem aos discos “Maritmo”, de 1998, “Maré”, de 2008, e agora, 11 anos depois, é pauta para mais um trabalho: o álbum “Margem”, que ela lança nesta sexta-feira (7) em todo o Brasil. 

Todo esse fascínio, confessa, a artista não sabe precisar quando surgiu. “Às vezes fico pensando que é por ter nascido em uma cidade que não tem mar ou pelo fato de ter ido morar no Rio de Janeiro”, diz, celebrando a oportunidade de poder dar voz, mais uma vez, a algo de que gosta.

“É sempre mais interessante falar daquilo que a gente gosta. É mais prazeroso. E o mar é essa coisa sem esgotamento. Ele tem um esgotamento físico evidente, que é algo que as pessoas estão começando a se dar conta, mas do ponto de vista metafísico ele não tem limite. O mar continua sendo tema de canções, de poesias. É uma coisa sempre em movimento”, reflete a artista.

Vale ressaltar que o novo trabalho também explora outros temas que permeiam a trajetória de Adriana Calcanhotto. “Falo sobre o amor, sobre a passagem do tempo”.

Foi na passagem do tempo, inclusive, que “Margem” foi construído. Idealizado quando Calcanhotto finalizava o trabalho anterior, “Maré”, o álbum levou 11 anos para ser finalizado. “Fui fazendo outras coisas ao longo desse tempo, mas o disco estava comigo. E foi nascendo sem pressão, sem expectativa. Só existindo, só sendo”, diz.

Por essa falta de pressa, o disco seguiu um caminho atípico. “Embora a minha trajetória não tenha sido muito assim, em geral temos uma safra de canções maior quando começa. Vamos registrando isso. Agora, ter um disco feito com essa tranquilidade, enquanto fazia outras coisas, sem ter a minha atenção toda voltada para ele, foi algo que sempre almejei. É um disco que posso dizer que está sendo lançado porque ficou pronto. Às vezes a gente entrega discos porque tem que entregar”, lamenta. 

A tranquilidade fez parte da gravação, que aconteceu enquanto Calcanhotto seguia em turnê com o espetáculo “A Mulher do Pau Brasil”. “Foi muito diferente das outras vezes. Como foi tão tranquila a gravação, ir para o estúdio era uma maneira de relaxar da estrada”, relembra. 

Ao vivo

O disco chega aos palcos em 23 de agosto e, mais uma vez, a cidade escolhida para o lançamento é Belo Horizonte – palco também do lançamento nacional da turnê “A Mulher do Pau Brasil”. “Uma vez que estrear no Palácio das Artes deu tanta sorte, não quero outra vida mais”.