Além de uma idolatria incomensurável, o fã precisa de sorte. É o caso de Rodrigo Oliveira. No início dos anos 2000, o Balão Mágico estava “adormecido no tempo”, como ele gosta de dizer, quando resolveu investir no acervo do famoso grupo infantil, que havia acabado em 1986. 

“Dei sorte de começar a montar o meu acervo quando ninguém estava preocupado com saudosismos, o que só veio a acontecer com os grupos de Orkut e Facebook”, registra.

Naquela época, produtos como discos e revistas antigas não valiam tanto quanto hoje. “Agora seria impossível montar o acervo que tenho. Um simples compacto que eu comprava por R$ 2, R$ 5, há 20 anos, custa atualmente uns R$ 100”, relata Oliveira, que se transformou num dos maiores fãs do grupo formado por Simony, Tob e Mike. O trio voltou a se reunir em 2018 e será atração do Grande Teatro do Palácio das Artes no dia 7 de março. Os ingressos já estão à venda.
Formado em Letras, Oliveira, de 43 anos, cresceu, como as crianças de sua época, tendo a TV como uma espécie de babá eletrônica. Foi quando criou o gosto por programas infantis como “Vila Sésamo” e “Daniel Azulay e a Turma do Lambe-Lambe”. Carinho que perdura até hoje, como mostra a sua extensa coleção. “Antes do Balão Mágico, os programas eram mais educativos, buscando criar valores”.

Oliveira observa que o início da transmissão da “Turma do Balão Mágico”, em março de 1983, pela Rede Globo, exibiu uma criança (Simony, que começou sozinha, ao lado de Fofão) falando para outras crianças, sem seguir muito um script. 
“Eles voltaram na hora certa, num momento em que o país vive uma fase pesada, para trazer um pouco de alegria. Na plateia, as pessoas exibem um semblante diferente e voltam a ser crianças de novo”

“Hoje as crianças que têm um canal no YouTube, por exemplo, são extremamente ensaiadas pelos pais, deixando de serem elas mesmas”, analisa o fã. O programa foi substituído, em 1986, pelo “Xou da Xuxa”.

“A Xuxa estava em fase ascendente. Mas o problema maior foi o fato de Tob estar adolescente. A gravadora não tinha intenção, como fizeram com os Menudos, de ficar trocando os integrantes e preferiu acabar com o grupo”, explica Oliveira, que levou um susto quando anunciaram a volta dos já adultos membros do Balão Mágico aos shows. “Para mim, isso não ia acontecer mais”, afirma.

Apesar do reencontro inesperado, ele não tinha dúvidas sobre o sucesso da reunião. Ao ver o Grande Teatro do Palácio Artes lotado na primeira vez que aportaram em BH, em 2018, ele sentiu uma energia muito positiva. “Havia muito carinho ali. Trinta e tantos anos depois, as pessoas sabiam as músicas de cor e salteado. Elas ficaram gravadas nas mentes das pessoas”, analisa.