Esta é a pergunta jogada para o público do 1º Festival Literário Internacional de Belo Horizonte (FLI-BH). A questão foi levantada pelo jornalista e escritor Humberto Werneck. Aos 70 anos, ele prepara biografia sobre este mineiro e que é considerado um dos mais relevantes nomes da literatura mundial. Drummond é homenageado pelo Festival que termina neste domingo (28), no Parque Municipal Américo Renné Giannetti.

Werneck é autor de “O Desatino da Rapaziada”, livro publicado originalmente em 1992, e que há três anos ganhou edição comemorativa revista. “Desatino” é uma espécie de documento histórico que faz a convergência de trajetórias jornalísticas e literárias de uma geração de intelectuais como o próprio Drummond, além de Rubem Braga, Murilo Rubião, Otto Lara Resende, Luiz Vilela, entre outros.

E é para colocar em prática o faro jornalístico que Werneck precisa achar um generoso espaço na agenda dele. O espaço, que ele chama de "monogâmico", será exclusivamente para falar, mais uma vez, sobre o poeta itabirano. Isso quase 30 anos após a morte do artista lembrados em 2017.

“O convite foi feito pela Companhia das Letras (editora), espero dar conta”, frisa. Werneck diz que Drummond é uma espécie de "eixo" na vida dele. “É o cara que falou por mim as coisas que eu não dou conta. Eu tive vários encontros com ele para entrevistas”. Mas o jornalista diz que não chegou a ser “amigo” do escritor. “Quem sou eu para isso?”, intimida-se.

Mas Werneck diz que a admiração pelo biografado não vai “paralisá-lo” na pesquisa e que há, sim, indícios de novidades sobre a vida do mineiro. O jornalista esclarece que esta não é um biografia “autorizada” pela família. Ainda assim, salienta, os herdeiros veem com bons olhos o fato de que ele a faça, graças ao histórico de publicações que tem sobre o poeta.

Werneck já possui um roteiro de lugares nos quais vai coletar as pegadas biográficas de Drummond: Rio de Janeiro, alguma coisa em Belo Horizonte, Itabira. “Mas também há lugares como Nova Friburgo, onde Drummond foi estudar, mas acabou sendo expulso do colégio por insubordinação mental”.

Mas como falar de alguém de quem, parece, já se falou tudo? “Agora vou falar de um cara, de quem todo mundo já ouviu falar. No entando, será que as pessoas realmente conhecem Carlos Drummond de Andrade? O que se diz é que ‘era um grande poeta’ e parará…”

“Vou falar da vida de homem que, supostamente, não comportou grandes acontecimentos”, expõe sobre uma das faces do desafio. E neste sentido, o jornalista compara Drummond com Vinicius de Moraes: “Ele não foi como Vinicius, que teve nove casamentos, foi diplomata… Drummond saiu do Brasil poucas vezes. Sempre para Buenos Aires, para conhecer os netinhos”, cita, a caminho do debate da FLI-BH, no Teatro Francisco Nunes.

E sobre a criação do primeiro festival literário internacional em BH, Werneck é entusiasta: “Eu acho, como diz o povo, que ‘demorô’”. 

 

E agora, com a palavra, “o povo” no FLI-BH! Afinal, quem é esse tal de Drummond?

- “É uma escritor muito inteligente, que aprendi a ler na adolescência”. (ROSELANE FERNANDES, 41 ANOS, AUXILIAR ADMINISTRATIVA)

- “Sou uruguaia e moro em Porto Alegre há alguns anos. Drummond é uma grande referência da literatura brasileira e mundial”. (MARISA KRÁS BORGES, 56 ANOS, ESCRITORA)

- “Se eu conheço Drummond? Claro, uai! Media in via erat lapis. ‘No meio do caminho tinha uma pedra’ (lembra, em latim, um dos versos do itabirano)”. (PIER SENESI, 56 ANOS, ADVOGADO E SECRETÁRIO DE SERVIÇOS URBANOS DA PREFEITURA DE BELO HORIZONTE)

- “As poesias dele são muito ligadas à rotina da gente. Aquele poema da ‘pedra no caminho’, me dá um pouco de aflição, porque ele vai e volta no texto, mas, fora este, todos os outros, eu amo”. (ELIZABETH LEONARDO CARNEIRO, 59 ANOS, ARTISTA PLÁSTICA).

- “Foi um escritor daqui. Sei quem é Drummond, sim, pois o estudei na escola”. (ACÁCIO MESSIAS, 31 ANOS, AUXILIAR DE ELETRICISTA)