Obras de Portinari, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Adriana Varejão, Guignard, Alfredo Volpi, dentre outros mestres das artes, foram cuidadosa e fielmente reproduzidas com retalhos e agulhas pelas mãos talentosas de homens e mulheres de comunidades carentes de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

É o projeto Fred, que chega à cidade e mais uma vez surpreende com a precisão e beleza dos trabalhos, que fazem parte da exposição "Grandes Artistas Brasileiros". Os trabalhos poderão ser vistos a partir desta quinta-feira (26), no Espaço Mari’Stella Tristão, no Palácio das Artes.

Para a mostra, artistas plásticos e monitores do projeto ministraram oficinas de tapeçaria para os artesãos no primeiro semestre deste ano, 18 delas em Minas e uma no Mato Grosso do Sul. A ideia, explicam os artistas plásticos e responsáveis pelas oficinas, Rodrigo Mogiz e Cícero Miranda, foi capturar as fortes características brasileiras nas obras dos artistas.

"Procuramos escolher o que seria possível reproduzir com retalhos, na técnica do tapete. Observamos cor, forma e temática", explica Mogiz.

Dentre as peças de destaque está a reprodução da obra de Adriana Varejão – "Celacanto Provoca Maremoto" –, em exposição permanente no Inhotim. O painel em tapetes tem 6,35 metros de largura e 2,65 de altura.

As alunas responsáveis pelo trabalho são de uma comunidade próxima ao museu, que fica em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e, portanto tiveram livre acesso à obra de Adriana Varejão.

As peças são produzidas nos tamanhos pequeno (50 x 70), médio (70 x 1,40) e grande (1,40 x 1,40). Muitas vezes o material utilizado ganha formatos diferentes. Os peixes de Portinari foram reproduzidos, bem como as bandeiras de Volpi e o Abaporu de Tarsila do Amaral.

As oficinas do Projeto Fred contam com cerca de 20 alunos e cada uma tem duração de quatro meses. Durante o curso, os participantes aprendem composição de cores, desenho e a técnica trama sem nó, um artifício criado pelo mineiro Ivã Volpi, em que os retalhos são presos numa tela específica sem a necessidade de serem amarrados, característica que torna o produto mais sofisticado, sem o realce do nó.
 
"O envolvimento foi tão grande nesse último trabalho que as alunas participaram ativamente na escolha das cores, por exemplo. Se achavam que a cor não estava muito fiel ao quadro original, recusavam o retalho", diz Miranda. A exposição, com entrada gratuita, poderá ser visitada até dia 8 de agosto.