"O incêndio no Museu Nacional é uma perda irreparável. A sociedade agora deve refletir sobre o quanto o cuidado com o patrimônio é um tema central nas agendas políticas dos próximos anos”, afirma o historiador e professor do curso de museologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Luiz Henrique Assis Garcia.

Nesta direção, não há momento mais adequado para que o significado de renascimento, costumeiramente atribuído à primavera, se faça valer. Isso porque dois dias depois da destruição do histórico equipamento cultural, no Rio de Janeiro, tem início a 12ª “Primavera dos Museus”, evento que promove nacionalmente atividades em vários espaços culturais do país, inclusive o MM Gerdau – Museu das Minas e do Metal de Belo Horizonte, que lança a partir desta terça-feira (04) sua programação voltada para o evento.

Embora seja parte dos planos do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) desde antes da tragédia, é inegável que o episódio lance outros olhares sobre a iniciativa. “A primavera chega em má hora, mas de uma boa forma, porque traz um debate necessário. Quando pensamos na educação, na valorização dos museus, estamos pensando nas possibilidades de preservação desses ambientes. Se isso já fosse algo forte na nossa cultura, com certeza a tragédia não teria acontecido”, acredita Sueli Monteiro, coordenadora do educativo do Museu das Minas e do Metal.

Situação Atual

O acervo de valor incalculável do museu incluía o crânio de Luzia, fóssil mais antigo das Américas, que havia sido encontrado na região de Lagoa Santa em 1974 e estava no segundo andar no prédio, tombado.

Arqueóloga e diretora do Centro de Arqueologia Annette Laming Emperaire – sediado na área de origem do achado histórico –, Rosângela Albano alerta sobre os perigos futuros.

“Há vários museus em situação precária no Estado pela falta de políticas públicas que garantam investimentos. É até difícil expressar o tamanho dessa perda. É algo muito pesado”, lamenta.

Mas as dificuldades não são apenas estruturais. “Há problemas crônicos de pessoal nas instituições em todo Brasil. Os concursos demoram muito e abrem poucas vagas. Falta também investimento em infraestrutura. Isso acaba gerando uma disputa por editais devido à falta de uma política pública”, diz.

Prevenção

Com uma programação inteiramente gratuita e educativa, a “Primavera dos Museus” reforça a importância destes espaços e tem como um dos objetivos a apropriação desses espaços pelo público.

“Uma das nossas intenções é exatamente promover a aproximação nesses espaços. É desta forma que vamos conseguir valorizar e preservar os museus e, para isso, as pessoas precisam de atividades acessíveis, com uma linguagem próxima”, sublinha Sueli Monteiro, do Museu das Minas e do Metal, em BH.

“É fundamental esse movimento de sensibilização da sociedade e criação de um sentimento de pertencimento por parte da população e do poder público”, acredita ela, reiterando a importância de uma participação mais efetiva do governo no cuidado com os museus.

O Museu das Minas e do Metal, em BH, é um dos espaços que recebem a partir desta terça-feira várias atividades da “Primavera dos Museus”.
A entrada é gratuita. O MM Gerdau é o prédio Rosa da Praça da Liberdade. A programação completa está em:
www.mmgerdau.org.br