O aumento da produção da animação mineira agora pode ser medido em números: em recente levantamento feito pelo Anima Mundi, principal festival do país dedicado à técnica, Minas Gerais aparece na terceira posição entre os estados com maior número de produtoras.
 
Apesar da distância para São Paulo (184 empresas) e Rio de Janeiro (70), as 33 produtoras instaladas em Minas já apontam para um aquecimento do setor nos próximos anos, especialmente na realização de longas-metragens: vários projetos estão em fase de desenvolvimento.
 
“É fruto de um esforço coletivo de todo setor, a partir de investimentos que foram feitos pelo governo de Minas Gerais, Sebrae e outros parceiros. Agora vamos ter a possibilidade de mostrar a qualidade da produção mineira para todo mundo”, registra Luiz Fernando de Alencar, da produtora Immagini.
A produtora de Alencar está desenvolvendo o longa “Chef Jack, o Cozinheiro Aventureiro”, com previsão de estreia em 2021. “Estamos operando com 40 postos de trabalho, nas várias áreas da animação. Estaremos dando visibilidade ao talento mineiro na animação”, registra.
 
De acordo com Helder Quiroga, diretor do curta “Égun”, o ambiente de mercado é muito favorável, sendo a animação o “segmento que mais cresce no mundo, tendo como principais aliados as novas ferramentas tecnológicas, como os jogos eletrônicos e a própria internet”, analisa.
 
Universal
A maior absorção de animações no mercado internacional, salienta Quiroga, à frente da ONG Contato, também se deve à própria linguagem, fundamentalmente universal, atingindo várias faixas etárias, “sem deixar de lado a questão da identidade nacional”.
 
Ele destaca que um passo importante dado em Minas Gerais foi a criação de um fundo de investimento focado na animação, em contrato firmado recentemente entre a Codemge – Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais e a francesa Invest Image.
 
Nove curtas-metragens entraram na lista de 100 melhores animações do país, em votação realizada pela Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema)
 
No campo federal, porém, há um certo temor diante dos rumos que podem ser dados à Agência Nacional de Cinema (Ancine), que regulariza e fomenta o cinema do país. “Por outro lado, pode até ser bom, com o cinema voltando a ser um ponto de resistência, assim como foi durante a ditadura”, observa o diretor Sávio Leite.
 
Ele comenta que este cenário de efervescência no estado era inimaginável há uma década. “Agora estão mais preocupados em fazer séries. A coisa autoral acaba se perdendo um pouco com a massificação”, pondera. Por enquanto, os filmes feitos no Estado são de caráter independente. 
 
arte

Clique aqui para ampliar