“E aí, como vai Minas Gerais, essa terra tão bonita?”, diz, com um forte sotaque goiano, ao pegar o telefone. A introdução da conversa é muito reveladora sobre como Zé Felipe se espelha no pai, o cantor Leonardo, para construir a própria carreira artística. O rapaz tem apenas 16 anos mas já sabe que não basta cantar, tem que fazer um bom marketing pessoal – tratar jornalistas de forma mais íntima é uma estratégia clássica no universo sertanejo. 
 
O contato com o palco começou lá na infância, quando acompanhava o pai nas turnês Brasil afora. Aos 4 anos, Zé Felipe pegava o microfone para interpretar canções de Leonardo de frente para grandes públicos. Com o início do período escolar, essas participações não puderam acontecer mais. 
 
O retorno foi na cidade mineira de Itajubá, há três anos. “Depois disso, participei do DVD dos 30 anos de carreira do meu pai e começamos a trabalhar o repertório do meu primeiro disco. Em julho (de 2014) escolhemos as primeiras músicas e terminamos o disco em dezembro”, conta o rapaz, que deixou a escola no ano passado por causa do disco, gravado em São Paulo, mas garante que voltará a se dedicar aos estudos em 2015, no oitavo ano. 
 
Inicialmente, a ideia era gravar um EP com quatro músicas. Mas a equipe da Talismã (empresa de Leonardo) passou a receber composições do Brasil inteiro – “umas mil”, segundo Zé Felipe. 
 
A fartura foi tão grande que os produtores Leandro Porto e Romário Rodrigues se animaram a fazer um álbum com 13 faixas – todas na linha do sertanejo universitário. Dentre elas também está uma música vinda de Minas: “Pegação”, regravação da dupla mineira Kleo Dibah e Rafael, fala sobre o amor que surge durante a balada.
 
O estúdio não era novidade para o jovem, que já acompanhou o pai em muitas gravações. Mas Leonardo não esteve presente no processo, dando uma maior liberdade para o amadurecimento do rapaz. “Colocar a voz numa música e depois escutá-la é uma experiência única”. 
 
Mesmo que a voz do rapaz não tenha alcançado a maturidade completa – o que acontece por volta dos 18 anos –, Zé Felipe garante que essa é a hora certa para lançar a carreira musical.
 
“Já passei pela troca de voz, por volta dos 14 ou 15 anos. E foi engraçado, porque havia dias em que eu dava conta de cantar, mas em outros a voz não saía. A mudança bruta já passou”.