Edward the Head nunca envelhece. Ele é uma criatura decrépita, com seu sorriso largo e macabro. Mas Eddie atravessa as décadas acumulando experiência e carregando o estandarte do New Wave of Britsh Heavy Metal, mesmo quando o metal parece ter esfriado. O resultado pode ser visto em "Senjutsu", novo álbum do Iron Maiden, que mostra não apenas o mascote amadureceu, mas toda a trupe East London.

O sexteto chefiado por Steve Harris e (literalmente) pilotado por Bruce Dickinson não tem o mesmo poder sobrenatural de Eddie. Os caras estão velhos. O aviador não tem mais aquela garganta que revolucionou a banda em 1982. 

Da mesma forma que Nicko McBrain não tem mais aquele vigor para esmurrar sua bateria em alta rotação. O mesmo é visto no trio de guitarras formado por Dave Murray, Janick Gers e Adrian Smith. A donzela de ferro baixou o tom e reduziu o andamento.

Aquela velocidade alucinante que o metal imprimiu na segunda metade dos anos 1970 fazia sentido quando o Maiden era uma banda jovem. Outros veteranos do rock também reduziram a rotação, como Metallica e Megadeth.

Mas não veja isso como demérito e sim com experiência. Tocar bem nunca foi tocar rápido. O disco reúne quase meio século de conhecimento de como fazer metal. Quem é conhecedor do Iron Maiden consegue antecipar notas, melodia e até mesmo as viradas de cada música. Ou seja, o Maiden manteve o velho formato, sem se render a modismos para buscar popularidade. É um disco para os fãs.

Aliás o próprio nome do disco remete à sabedoria. A expressão oriental remete ao controle dos chakras. Na capa, Eddie é retratado como um guerreiro japonês e claro, dominante de seus poderes. 

Banda de Palco

Assim como foi com "The Book of Souls", o disco conta com faixas longas. Das 10 músicas do álbum, três têm mais de 10 minutos, valorizando solos, alternâncias de harmonia, seguindo aquela receita de "Rime of the Ancient Mariner", na qual pude ouvir ao vivo por três vezes.

Aliás, a faixa de menor duração é "Days of Future Past", com 4 minutos. Nela, a turma acelera e faz com as veias do pescoço de Bruce estufem. "The Writing On The Wall" foi a primeira faixa divulgada pela banda. 
Estratégicamente é a mais moderada do disco. Feita para ser a música de trabalho. Mas mesmo assim é excelente, com riffs, contrapassos de bateria e viradas, seguindo o mesmo caminho de "Speed of Light", do disco anterior.

Ou seja, mesmo sem saber quando poderá colocar o jato Eddie Force One no ar, o Maiden fez um disco para o palco. Riffs e melodia incitam o público a cantar junto num uníssono coral de camisetas pretas.

Em dias em que a luz no fim do túnel está cada vez mais longe, é bom saber que o Iron Maiden está mais vivo do que nunca. Up the irons!

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