Aos 60 anos, completados hoje, Madonna continua fazendo aquilo que faz de melhor: desafiar e questionar os tabus da sociedade. Seu envelhecimento, que acontece diante dos olhos ávidos e cruéis do público e da mídia, é prova disso. “Essa é hoje a grande pauta da carreira dela e que tem uma dimensão que é muito importante. O velho não precisa ficar escondido a e velhice não pode ser tratada como um enclausuramento. Acho que é socialmente isso que as pessoas estão exigindo da Madonna e ela mais uma vez está questionando esse status quo e propondo uma outra noção de estrelato”, observa Thiago Soares, professor da Universidade Federal de Pernambuco, um dos maiores pesquisadores da Rainha do Pop no país e que irá coordenar um simpósio temático sobre ela em Joinville, no mês de setembro, dentro da Intercom.

Embora a cantora tenha se consolidado no âmbito estético – além da influência na moda, a imagem e a videografia de Madonna se tornaram icônicos por explorarem temáticas diversas e controversas – a atuação e importância da artista vão além do campo imagético. “Do ponto de vista atual, em que a direita está a todo vapor e o fascismo está de volta, a coerência política de Madonna, algo que é muito difícil na cultura pop, é uma de suas grandes contribuições”, acredita Soares.

Para ele, o posicionamento da cantora mantém sua potência ainda na atualidade. “A ida de Madonna a Portugal (a cantora vive em Lisboa desde o ano passado) é algo muito sintomático da ‘Era Trump’. Os grandes artistas não são grandes apenas porque fazem um arte singular, mas eles também têm leituras de mundo muito singulares e muito próprias. Eu acho que essa talvez seja a grande contribuição da trajetória da carreira de Madonna”, pontua.

Cultura

O título de “Rainha do Pop” não caberia a outra pessoa que não fosse Madonna. Ao longo de seus 36 anos de carreira, ela utilizou a música para questionar a Igreja, desafiar o machismo e colocar em cena o underground – não dá para esquecer, por exemplo, que a cantora foi uma das grandes responsáveis por colocar a cena LGBT, ainda marginalizada, nos holofotes. “Ela ampliou ao longo da sua trajetória a noção de artista musical, que deixou de ser apenas ligado à música e passou a ser ligado a uma esfera muito mais ampla, como o cinema, a televisão, a cultura digital”, enumera Soares.

Foi ainda através da música que a artista fez o seu lugar de fala. “Ela constrói sua trajetória dentro do pop, um estilo chamado bobo, ou para alguns, excessivamente comercial”, evidencia o pesquisador, ressaltando que a cantora soube ultrapassar os limites do gênero musical. “Ela entra nessa esfera e tece uma trajetória negociando com o pop. Se a gente pega o primeiro disco dela, notamos que ele é um disco profundamente dançante, mas se a gente pega o ‘Like a Prayer’, que é um dos discos centrais na carreira dela, a Madonna já começa a questionar a igreja, falar sobre a mulher, o feminismo;Algo que hoje vemos a Beyoncé e a Lady Gaga fazendo, mas que ela já fazia de uma forma muito potente nos anos 80”, acrescenta

Quer entrar no clipe do 60º aniversário da cantora? Confira a playlist feita por Thiago Pereira, editor-adjunto do Almanaque: #Madonna60

Madonna 60

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