Popeye, o marinheiro de animação mais famoso dos sete mares e que completa, nesta quinta (17), 90 anos de existência, acaba de sair de um estúdio em Lagoa Santa para ganhar o mundo mais uma vez, protagonizando novas histórias ao lado da namorada Olívia Palito, do arqui-inimigo Brutus e do amigo Dudu.

No próximo mês, chegará às livrarias francesas “Popeye: Un Homme à la Mer” (“Popeye: Um Homem ao Mar”, em tradução livre), história em quadrinhos publicada pela editora Michel Lafon com desenhos assinados pelo ilustrador mineiro Marcelo Lelis e roteiro do francês Antoine Ozanan.

Com bastante liberdade para redefinir os traços do famoso personagem criado por Elzie Crisler Segar, o artista buscou dar um caráter mais adulto às histórias de Popeye, distante do estilo caricatural e infantil impresso principalmente nas animações realizadas pela Fleischer Studios, nos anos de 1930.

“Quando me chamaram para o projeto, já conheciam o meu traço e sabiam que podiam esperar uma coisa diferente. O personagem tem uma vida mais adulta, mais dura, numa cidade portuária americana da década de 70, onde passa poucas e boas para sobreviver”, antecipa Lelis ao Hoje em Dia.

 

 

Espinafre

O que não quer dizer que não veremos o marinheiro caolho, de cachimbo na boca e fã de espinafre. No HQ francês, porém, ele não abrirá latas e latas com o vegetal para ficar mais forte. “Não dá para desassociar muito o Popeye de suas características, mas o uso de espinafre não terá a mesma conotação”, adianta.

O uso de espinafre, de acordo com Lelis, é visto como algo corriqueiro, apenas para matar a fome. “Acho que o contrário que não caberia neste tipo de história. Ele é uma pessoa super normal, que enfrenta dificuldades no seu relacionamento amoroso e também no trabalho”, assinala.

A modernidade chega à cidade de Popeye, com as grandes corporações “engolindo” os pequenos pescadores que tiram seu sustento daquele mar. O marinheiro de Segar é um deles. “Ele tem um daqueles barquinhos coloridos, com pneuzinhos do lado. Foi muito divertido desenhar estes cenários”, registra.

Como a ação se passa na década de 70, Lélis fez antes um trabalho de pesquisa relacionado a objetos e formas de comportamento. “Tive que construir a identidade visual, como aqueles carrões que os americanos adoram e que a gente via nas séries e as roupas completamente bregas, como paletó xadrez e calça boca de sino”.

Apesar da efeméride, o livro não tem previsão de lançamento no Brasil.

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