O Djambê foi criado há cerca de 12 anos por uma turma de amigos de capoeira. De lá para cá, o grupo teve várias mudanças de formação, chegou a ter trabalhos interrompidos, voltou em 2013 e agora alcança feitos invejáveis no universo da música independente. Neste momento, essa turma está em Fortaleza para se apresentar na “Feira da Música” (principal evento de negócios da área no Brasil) e, no próximo domingo, desembarca em João Pessoa, para participar do “Festival Mundo”.

A tendência é a de que o grupo mineiro cada vez ganhe mais espaço nacionalmente. Especialmente porque, em julho, venceu o disputado e tradicional FestValda, competição em que participaram 20 bandas – escolhidas entre mais de 900 inscritas.

Na ocasião em que tocaram a música “Trovão” levaram os troféus de melhor banda e vocalista revelação, que garantiram prêmios valiosos: R$ 15 mil em instrumentos musicais e a gravação de um EP no estúdio localizado dentro da fábrica da Valda, com distribuição da Sony Music no ano que vem. Será o terceiro lançamento da banda, que conta ainda com os discos “O Mundo Não É Só Eu” e “Encruzilhadas”, colocado no mercado este ano.

“Isso foi muito bom para a nossa carreira. O nosso nome chegou até muitas pessoas que nunca tinham ouvido falar da banda”, conta o vocalista e líder do Djambê, Emílio Dragão, lembrando como foi interessante tocar para 3 mil pessoas na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro.

“Uma coisa muito legal do festival foi ter tido contato com músicos de outros lugares e isso vem rendendo a possibilidade de tocar em outras cidades. Já estamos acertando com uma banda que conhecemos num show em Salvador”.
 
ROCK MACUMBA
 
Misturando instrumentos de base (guitarra, bateria e voz) com percussão marcante, e trabalhando letras contundentes, o Djambê define seu som como um rock macumba.

“Temos as linhas rítmicas afro-brasileiras e as distorções da guitarra. Tem a ver com rock porque é questionador. E é importante entender que macumba é uma palavra que tem vários significados em iorubá e um deles é festa. Assim, fazemos uma celebração da consciência”.

 

O rock contundente do Djambê

Emílio, Priscilla, Flávio Charchar, Bruno Guinu, Danilo Negão e Júnior Caban com o idealizador do FestValda, Hugues Ferté, logo após receberem os troféus (FOTO: Lyana Carvalho/Divulgação)

 
Respeito pelos animais é a principal das várias bandeiras
 
Emílio divide vocal e criação das letras com a namorada, Priscilla Glenda. Dentre os vários temas abordados (feminismo, racismo, desigualdades), a dupla tem atenção especial para a luta contra a matança e exploração desenfreada de animais. “Não é simplesmente a difusão da cultura vegana. É, na verdade, a luta contra todas as opressões. Tentamos inspirar as pessoas a se verem pelas semelhanças em vez das diferenças, seja branco, negro, mulher, ser humano ou boi. Nós somos semelhantes no que há de mais essencial, que são as sensações de dor e prazer”, explica Emílio, que montou uma produtora este ano com os dois irmãos, também veganos.

“A gente entende que as tradições são véus que tapam nossos olhares”, diz o vocalista. “Não adianta lutar pela liberdade do meu povo enquanto colocar uma chibata no lombo de um animal”.