Entre as muitas virtudes de Arnaldo Antunes, uma das mais marcantes é sua capacidade de realizar parcerias com artistas dos mais diferentes perfis. No recém-lançado "Disco" (Natura Musical/Radar Records), ele divide a criação com nomes da nova geração (Céu, Felipe Cordeiro, Luê), antigos parceiros (Marisa Monte, Nando Reis) e veteraníssimos (João Donato, Hyldon).

Das 15 faixas, apenas quatro são assinadas apenas por ele. "Acho muito bacana compor em parceria. Quando há afinidade real, sempre sai uma coisa muito bacana. A MPB é uma arte feita coletivamente, um território farto. Não é à toa que tenho discos em conjunto com parceiros, como ‘Os Tribalistas’ e ‘A Curva da Cintura", diz Arnaldo Antunes, que possui mais de 400 composições gravadas.

Um dos destaques do repertório é a faixa "Ela É Tarja Preta", composta junto a uma turma do Pará (Felipe Cordeiro, Manoel Cordeiro e Luê) e seu antigo parceiro Betão Aguiar (produtor do disco de estreia de Luê).

"Essa turma veio até a minha casa e fizemos duas músicas na mesma noite. Eu já havia navegado nessa praia no ‘Iêiêiê’ com a música ‘Invejoso’. Interessante que as duas não só fazem referência ao som do Pará, mas também contam histórias de personagens", conta.
 
Há ainda uma parceria inusitada entre Céu e Hyldon em "Trato". "Nos conhecemos no ‘Grêmio Recreativo’, programa que eu tinha na MTV, e já rolou uma empatia muito boa entre os três. Depois disso, venho me encontrando muito com o Hyldon. Já fizemos seis músicas. Duas vão estar no disco dele e uma mandamos para Wanderléa".

Arranjos

A sonoridade de "Disco" é o principal diferencial dentro da discografia de Arnaldo. É um som mais cheio, aproveitando melhor instrumentos que não se destacavam nos trabalhos anteriores.

"Tivemos quarteto de cordas e muitos sopros. São arranjos com que não havia trabalhado antes", afirma Arnaldo, reforçando que, além de sua banda (Edgar Scandurra, Chico Salem, Marcelo Jeneci, Curumin, Betão Aguiar), mais de 25 músicos participaram das gravações.