O italiano Umberto Nigi inaugura nesta terça (10), na Casa Fiat de Cultura, Circuito Cultural Praça da Liberdade, a exposição “Cores Cidadãs do Mundo”, que pode ser apreciada até 10 de janeiro de 2016, com entrada gratuita. Ao todo, são 44 obras inéditas que representam um conjunto da carreira do artista, que faz da cor sua principal inspiração.

“As cores são formas de energia que ajudam a viver, a superar problemas, a sonhar… Nesses momentos, em tempos tantas vezes tão áridos, a cor, para mim, é sem dúvida uma terapia, um modo de ver o mundo com mais otimismo, com fé e amor. Com as cores, consigo me sentir mais perto da minha Toscana (região na qual nasceu), dos tons profundos que pude ver pelos vários países nos quais morei. É como uma retrospectiva, um olhar para dentro de mim mesmo”, elucida.

Entre os quadros presentes na mostra, 40 são inéditos – foram criados entre 2012 e 2015. “Sempre fui fiel à minha arte. Pinto geralmente de um a três quadros por mês – mas não é uma regra. Trabalho colocando o quadro na horizontal, pois, dessa maneira, tenho a sensação de entrar dentro da tela. Uso tinta acrílica que compro na Itália, pois é a única fosca e muito difícil de encontrar no Brasil. Também uso pincéis largos”.

Vale lembrar, porém, que a exposição na Casa Fiat reserva uma sala dedicada a apresentar quadros de duas fases anteriores do artista. Duas obras retratam sua primeira fase, traçada por quadros completamente figurativos. Outras duas mostram seu caminho pelo abstrato, com cores e sem utilização de materiais diferenciais além da tela e tintas. “A escolha (das obras que compõem o rol dessa iniciativa) foi feita com base no sentimento que me liga a cada quadro. Pinto com muita naturalidade, por instinto”.

“Café do Brasil”

Uma história singular permeia as obras mais recentes do artista. Em visita recente a Roma, Nigi foi a um café e se deparou com vários sacos de juta de café, de 15 quilos, com os dizeres “Café do Brasil”.

Umberto, pois, se pôs a pensar em todo o caminho percorrido pelo saco até chegar ali, naquele estabelecimento em Roma. E não acreditou que o destino final daquele material fosse... o lixo!

“Me encantei pela textura da juta, pela história, pelo percurso que a mesma teve desde que foi transformada em sacos, usada e descartada”.

Sem titubear, ele resolveu, pois, usá-la como matéria-prima. Trabalhar com a juta, pondera, trouxe a sensação de realizar quase que “esculturas”, devido aos relevos e texturas que ela proporciona. Não bastasse, Nigi vislumbrou, ali, uma forma de dar outro uso a um material que, até então, seria sumariamente descartado.

“Consegui retirar, dessa matéria, elementos, tons e relevos que, nos meus quadros, assumem uma identidade única”.

O fazer artístico de Umberto Nigi se alinha, por meio de referências, ao movimento color field, que marcou os anos 60 por meio da utilização de áreas geométricas extensas e monocromáticas que convidam à contemplação do observador.

Apesar do apreço confesso à cor, o italiano dribla o desafio de citar a sua favorita: “Essa pergunta não posso res