Imagine chegar pertinho de um músico que você admira, sem ter seguranças, caixas de som ou um palco enorme entre vocês? Nos últimos tempos, essa experiência tem sido cada vez mais comum.

Interessados em estabelecer relações mais concretas e próximas ao público, artistas têm apostado em shows intimistas, realizados especialmente dentro da casa de pessoas ou em pequenos empreendimentos ligados à cultura.

Um exemplo é o músico Maurício Ribeiro, que montou um palco dentro da sala de sua casa, no bairro Santa Inês, e convida outros artistas a desfrutá-lo. Chamado de “Palco Meu”, o projeto recebeu, nos dois últimos anos, os músicos Kristoff Silva, Pablo Castro, Luíza Brina, Thiago Amud, Rodrigo Zaidan e o grupo Cafeine Trio.

“Como o evento é privado, não tem divulgação pública, faço convite às vésperas do evento pelo Facebook. Aí os convidados vão repassando o recado aos amigos”, conta Maurício, acrescentando que já se tornou tradição passar o chapéu entre o público para a remuneração do artista.

O curioso é que o próprio Maurício nunca fez uma edição do “Palco Meu” dedicada à sua música. Quando realiza o evento, ele prefere fazer as vezes de anfitrião e aproveita para mostrar aos presentes a sua cerveja artesanal, feita em casa mesmo.

Itinerante

O produtor cultural Marcelo Santiago também tem apostado em um projeto assim, mas de forma itinerante. A ideia é, mensalmente, promover um show em uma casa ou apartamento. O projeto ganhou o nome de “Aniversário”, para evitar problemas nos prédios onde os shows forem acontecer – quem chegar, deve dizer que está indo ao “aniversário”.

A primeira edição aconteceu no mês passado, tendo Jair Naves, o músico mais celebrado na cena de indie rock brasileiro, como convidado. “Além do pocket show, o artista faz parte da playlist da noite. É uma forma de conhecer melhor suas influências, o que ele está ouvindo naquela época e tal. Tudo é filmado e colocaremos um resumo do que foi a festa no YouTube”, conta Santiago.

A intenção é atrair cerca de 30 a 40 pessoas em cada edição e ter um pagamento razoável para os envolvidos. “Cobramos entrada de R$ 10 e esse valor é dividido entre o artista, dono da casa e equipe de filmagem”, explica.

“Montamos um bar e, a partir do próximo evento, teremos bebidas, comidas e outros produtos locais. Esse ambiente intimista contribui pra aproximação das pessoas e pensamos que pra reforçar isso seria legal termos esses pequenos produtores com a gente, como produtores de cervejas artesanais locais e de comida vegana, por exemplo”, completa o produtor.

Negócio

O hostel Lá em Casa, de Santa Tereza, também resolveu oferecer aos seus hóspedes shows intimistas. Quinzenalmente, são oferecidas apresentações de jazz na área externa. Em frente aos músicos, são colocados puffs e almofadas, para dar um clima informal.

“Tem sempre um pessoal de fora nos shows, mas tem gente de BH que já começou a frequentar”, conta o baterista Bráulio Matheus Mangualde, responsável pela programação musical.

Shows são recompensa para financiamento coletivo de artistas