Pouco tempo depois de a Fundação Municipal de Cultura (FMC) apresentar para a imprensa a programação do Festival Internacional de Teatro Palco & Rua (FIT-BH), que acontecerá entre os dias 20 e 29 deste mês, várias pessoas se manifestaram contrárias às escolhas da curadoria do evento. Alguns profissionais das artes cênicas da capital manifestaram, nas redes sociais, incômodo ao ver que a edição 2016 do festival não contempla obras produzidas ou encenadas por atores negros.

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O ator Rodrigo Jerônimo foi um dos que se manifestaram. "Nem toda a produção e nem a qualidade desses artistas historicamente ignorados pelas curadorias, gestores, administradores públicos, programadores, e as reiteradas investidas que fazemos para colocar na pauta do dia o RACISMO NAS ARTES, foram suficientes para dar um pouco de brasilidade nessa programação, que considero ser uma das mais europeizadas dos últimos anos do FIT", escreveu.

Manifesto

O Grupo dos Dez chegou a desenvolver um manifesto na internet, afirmando "que não há mais espaço para que as curadorias ignorem a representatividade negra nas escolhas de suas atividades. Lembramos que tanto o FIT BH, quanto todos os outros editais públicos, incluindo os Centros Culturais Privados e meios de comunicação pública, devem estar a serviço da construção de um Estado mais justo e igualitário".

Procurada pela reportagem, a FMC ainda não se manifestou sobre o assunto.

Confira a íntegra do manifesto feito pelo Grupo dos Dez:

"CARTA DE REPÚDIO À PROGRAMAÇÃO DO FESTIVAL INTERNACIONAL DE TEATRO DE BELO HORIZONTE.

O GRUPO DOS DEZ vem através dessa demostrar sua indignação diante do lançamento da programação do FIT BH 2016.

Aproveitamos para convidar a todos os artistas pretos e não pretos para assinarem a carta abaixo, ou até mesmo para acrescentá-la e envia-la à Secretaria de Cultura de Minas Gerais e à Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, em seus nomes.

Exigimos do poder público em especial da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte e da Secretaria do Estado de Cultura de Minas Gerais, a participação efetiva no debate da representatividade negra nos eventos e editais desses órgãos, suas secretarias e autarquias, bem como meios de comunicação. Não temos dúvidas que esses órgãos são peças fundamentais para construirmos uma sociedade mais justa e igualitária. Sabemos que os mesmos foram criados para contribuir efetivamente na política de inclusão das minorias políticas de nossa cidade e de nosso estado.

Partindo da análise da programação, lançada pelo FIT BH, no último dia três de maio de dois mil e dezesseis, entendemos que não há mais espaço para que as curadorias ignorem a representatividade negra nas escolhas de suas atividades. Lembramos que tanto o FIT BH, quanto todos os outros editais públicos, incluindo os Centros Culturais Privados e meios de comunicação pública, devem estar a serviço da construção de um Estado mais justo e igualitário.

Diversos movimentos nesse sentido já estão em curso no país. Conseguimos, diante de muita luta, derrubar liminares que impediam a liberação de recursos do Governo Federal para as artes produzidas e encenadas por negros. Ganhamos todas as lutas judiciais e políticas que travamos! Temos jurisprudência suficiente para o debate entre os artistas negros e o Estado, para que juntos possamos construir uma sociedade mais justa para nossos irmãos.

Pedimos a abertura de uma sessão do Festival Internacional de Teatro, que privilegie os espetáculos de Teatro Negro e os debates que gostaríamos de fazer com todos os artistas e com esses órgãos supracitados. Reivindicamos a construção coletiva (Sociedade Civil e Poder Público) de uma política que garanta a representatividade e dê a dimensão da diversidade das artes produzida por negros, tanto para as curadorias quanto para os selecionados em editais.

Políticas Públicas Afirmativas para a Cultura em Minas Gerais já!

‪#‎culturasemracismo‬ ‪#‎curadoriapreta‬ ‪#‎FITBHpreto‬"