Na explosão de cores e formas da tela “São Jorge” (1911), é possível distinguir a figura de um cavaleiro sobre o dragão. Os traços de uma flecha xamânica da Mongólia também são perceptíveis em uma das telas de “Improvisações”, a série criada entre 1909 e 1914 pelo pintor abstrato russo Wassily Kandinsky (1866-1944). São referências como essas que a exposição “Tudo Começa num Ponto”, dedicada à obra de Kandinsky, pretende colocar em destaque.
 
A mostra começa nesta quarta-feira (12) no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de Brasília e permanecerá no país por quase um ano – a partir de janeiro seguirá para Rio de Janeiro (27/1 a 30/3), Belo Horizonte (21/7 a 28/9) e São Paulo (18/4 a 29/6), sempre no CCBB. A expectativa total de público é de 1 milhão de pessoas.
 
“Trazemos um acervo importante de arte popular russa e objetos xamânicos, cujo vínculo é evidente no trabalho dele. Nosso caminho foi explorar seu surgimento, a primeira etapa de Kandinsky, e ir mostrando a evolução até a consagração na arte abstrata”, diz Rodolfo de Athayde, diretor geral da exposição.
 
CAVALEIRO AZUL
 
Kandinsky é considerado o pioneiro da abstração. Fundador do grupo Cavaleiro Azul, surgido em Munique, em 1911, o artista se opunha aos cubistas então em voga defendendo uma orientação quase espiritual para as artes visuais.
 
Suas telas, estruturadas em torno de formas puras, partiam da ideia de que cores e gestos eram capazes de transmitir uma mensagem intrínseca, numa comunicação de homem para homem independente da representação da natureza e seus fenômenos.
 
Na concepção do artista, suas formas eram como teclas de um piano, acionadas para criar, cada uma a seu modo, um impacto psicológico.
 
Nascido em Moscou, ele já adotava na infância, durante aulas de pintura, a combinação de cores fortes e inesperadas. 
 
A trajetória do pintor russo é narrada em vídeo exibido na mostra, que relata a reação à época, nem sempre positiva, às pinturas de Kandinsky.