As várias premiações distribuídas nas últimas semanas para a indústria cinematográfica não deixam margem a dúvidas. Logo mais à noite, quando o tapete vermelho se estender para os convidados a mais uma cerimônia do Oscar, a principal estatueta deve ser de fato disputada entre “A Grande Aposta”, “O Regresso” e “Spotlight – Segredos Revelados”. Três títulos que têm em comum o fato de serem baseados em situações verídicas, não necessariamente ocorridas em um passado muito longínquo.

“A Grande Aposta”, de Alejandro J. Inãrritu (o mexicano, vale lembrar, levou a estatueta de direção ano passado, por “Birdman”), coloca em repasse, com doses de humor, o início da derrocada da economia americana (e, num efeito dominó, a mundial) em 2008. Já “Spotlight” vai à década de 1990 tocar o dedo na ferida da pedofilia na Igreja Católica, a partir de um fato real ocorrido em Boston, e desvendado por um grupo de jornalistas. “O Regresso” é, de certa maneira, o único épico – localiza-se em 1823, quando colonos e índios ainda brigavam por terras. O teor, porém, é bem atual, ao enfatizar o respeito necessário em relação à natureza.

Interesses Coletivos

São filmes que retratam o interesse coletivo, em várias instâncias (social, econômica e política), diferentemente do ano passado, quando chamaram a atenção temáticas mais individuais e interiores. “Birdman”, “Boyhood” e “Grande Hotel Budapeste” dividiram as principais estatuetas do Oscar de 2015.

Agora, é curioso observar que nenhum dos três favoritos à edição 2016 exibe um beijo sequer. A vida amorosa não está em discussão, todos protagonistas estão imbuídos de um objetivo maior. Os personagens de “Spotlight” nos remetem à dupla de jornalistas de “Todos os Homens do Presidente”, lançado nos anos 70, sobre escândalo Watergate.

Máquina de fantasmas

Entre os oito indicados há tramas sem vínculo histórico, mas são ficções no que há de que mais exagerado no sentido do termo. “Mad Max: Estrada da Futuro” e “Perdido em Marte” são obras que se passam num futuro hipotético.

Talvez o que mais se aproxime da “cara” do Oscar do ano passado seja “Brooklyn”, mas sem um pingo de ousadia estética e narrativa dos três grandes vencedores, apostando num formato mais clássico de drama romântico.

Seja qual for o premiado logo mais, o recado da Academia está bem claro, pedindo para abrirmos os olhos para o que anda acontecendo ao nosso redor. O cinema americano é uma máquina de sonhos, mas também costuma mostrar alguns fantasmas.

A noite e também vai ser uma boa oportunidade para o espectador ver como o apresentador Cris Rock vai se comportar – existe, sim, a expectativa de que faça alguma menção às críticas de que não há negros entre os principais concorrentes – o que levou nomes como Spike Lee a propor até um boicote à festa.

Serviço: Na TV – A partir das 20h30, na TNT, e logo após o BBB 16, na Globo