“Não assistimos nem à montagem original nem ao filme de (Roman) Polanski”, assegura Bárbara Paz, referindo-se, inicialmente, à encenação, na Broadway de “Vênus em Visom”, texto que a traz neste final de semana à capital mineira. Já a referência ao diretor diz respeito ao fato de o polonês ter adaptado o texto ao écran (“A Pele de Vênus”, com Emmanuelle Seigner). E, finalmente, pelo uso do plural, a atriz quis também abarcar o ator com quem contracena – André Garolli –, bem como o diretor da empreitada, Hector Babenco.

“Fizemos a nossa Vênus, a nossa interpretação desse texto. A nossa montagem, dentro de improvisações e leituras”, prossegue Bárbara, que encarna uma talentosa jovem atriz determinada a protagonizar uma nova peça baseada num clássico, “Vênus”.

Segundo a sinopse, seu teste para o diretor e adaptador do espetáculo se torna “um eletrizante jogo que ultrapassa o limite entre fantasia e realidade, sedução e poder”. Em Belo Horizonte, a montagem será mostrada neste sábado (18), às 21h, e neste domingo (19), às 19h, no Teatro Sesiminas.

Para Bárbara Paz, não é difícil encontrar motivos que justifiquem a escolha do texto original de David Ives. “Sem dúvida, é uma história que encanta a qualquer público. O tema é universal. Todos passaram, um dia, na vida, pelo seu teste. O ator passa o tempo todo por esse tipo de situação. Precisar vencer isso para chegar a mostrar o seu trabalho, o seu talento. É submetido a muitas humilhações por um falso preconceito que a sociedade impõe”.

No cômputo geral, acrescenta ela, a peça joga com essa situação “de poder e humilhação, de sedução e ironia, com o ridículo e o profano”. A atriz conta que a direção de Babenco foi precisa, certeira. “O Hector tem um humor muito ácido, muito dele. E é a primeira vez que dirige uma comédia. Então, ele colocou bastante desse humor sarcástico que tem, na peça”.

Em turnê pelo país, Bárbara Paz conta que foi uma surpresa ver como, em diferentes cidades, as pessoas riam ou silenciavam em momentos completamente diferentes. “No eixo Rio/São Paulo, foram dois espetáculos diferentes, pois, numa comédia, você depende do público, é ele que vai te ajudar a contar a história”. E a turnê pelo interior de São Paulo, lembra, foi um “escândalo de risadas”. “As pessoas riam muito. Aplaudiam, entendiam cada situação que, a princípio, parecia difícil de entendimento (fácil do riso). É uma peça inteligente de situações”, advoga.

Hector, acrescenta Bárbara, quis o circo em primeiro lugar, “o brincar com o nosso ridículo”. “O que a atriz, o ator, trazem na bagagem. Depois, o jogo de sedução do masculino e feminino. E aí começamos o caminho da inversão de papéis”.
 
Farsante tosca e vulgar
 
O diretor Hector Babenco resumiu assim o espetáculo: “Uma farsante tosca e vulgar chega ensopada num teste de atriz, em que um diretor em fim de jornada será seduzido e abusado (atropelado) sem piedade por esta Vênus em Visão”.

“Vênus em Visom” pode ser vista neste sábado (18), às 21h, e neste domingo, às 19h, no Teatro Sesiminas (rua Padre Marinho, 60, Santa Efigênia). Após a sessão deste sábado, o elenco bate-papo com o público. Ingressos: R$ 80 e R$ 40 (meia). Classificação: 14 anos. Duração: 90 minutos. Informações: (31) 3899-2003