Tudo se passa na década de 1950. Clássico do americano Tennessee Williams (1911-1983), um dos dramaturgos mais importantes do século 20, “Gata em Telhado de Zinco Quente” coloca em cena personagens em conflito. Os diálogos mostram a relação fria de um casal em meio à disputa dos demais membros da família pela herança do velho patriarca – ainda vivo. Sobram disputa por poder, inveja, ganância e ciúmes. Poderia se tratar de uma história contemporânea, observa a atriz Bárbara Paz, protagonista da adaptação que hoje chega a Belo Horizonte.

“Avançamos bastante, mas retrocedemos também. Então, mudaram as vestimentas, mas os valores não mudaram muito”, critica a atriz. A montagem é do Grupo TAPA, com direção de Eduardo Tolentino de Araújo e figurino de Gloria Kalil. Na peça, Bárbara é Maggie, casada com o alcoólatra e ex-astro de futebol americano Brick (Augusto Zacchi). 

Ao redor do casal, estão os pais de Brick, o Paizão (Zécarlos Machado), o rico patriarca, e Mãezona (Noemi Marinho), além do irmão Gooper (Andre Garolli) e a cunhada Mae (Fernanda Viacava). “A peça fala sobre uma família que tem uma fazenda de algodão. São novos ricos, emergentes, que têm agora o poder na mão. Então, o discurso é muito afiado, sarcástico. As palavras de Tennessee são ácidas”, considera. 

Bárbara Paz é a apaixonada Maggie e está preocupada em chamar a atenção do marido. Mesmo vivendo um casamento frustrado, não desgruda de Brick, não saí de cima do telhado, como remete o título do espetáculo. 

“Ela procura por padrões tradicionais, apesar de ter discurso moderno. Ela só quer o casamento, filhos, família. Por esse lado, me identifico com Maggie, porque acho que estou sempre em busca de uma família ou sempre abraço uma família”, afirma.

O texto de Tennessee Williams ficou eternizado no cinema com Elizabeth Taylor, originalmente conhecido como “Gata em Teto de Zinco Quente”


Retomada
O espetáculo estreou pouco antes da morte do cineasta Héctor Babenco, marido de Bárbara. A morte ocorreu em julho deste ano e os dois estavam juntos desde 2010.  A artista chegou a cancelar algumas apresentações, mas decidiu retornar aos palcos logo depois. Para ela, o trabalho foi o meio para se reerguer. “Diz que o palco cura a gente. Curar não cura, mas transforma; ajuda a dar uma sobrevida, né... Graças a Deus estava com o teatro, trabalhando. Acho que esse é o melhor alimento, o melhor oxigênio para a gente se manter bem e vivo. A volta para o teatro me deu muita força”, afirma.

Também vem ocupando o tempo de Bárbara o documentário em homenagem a Babenco. É ela a diretora. Tem mais: no próximo dia 26 a atriz estreia na apresentação de “A Arte do Encontro”, no Canal Brasil, substituindo Tony Ramos. “E, logo mais, estou de volta à telinha. Não posso falar o quê, mas deve pintar ‘loguinho’ alguma coisa boa por aí”, promete. 

A montagem com Bárbara Paz nasceu da série de estudos promovidos pelo Grupo Tapa sobre trabalhos do dramaturgo. As adaptações geraram novas traduções, comandadas pela pesquisadora teatral, professora universitária e tradutora Maria Sílvia Betti. 

Serviço: “Gata em Telhado de Zinco Quente”, de hoje a 28/11, de segunda a sexta, às 20h, no CCBB-BH (Praça da Liberdade, 450). Ingressos: R$ 20 (inteira) 

 

Peça "Gata em Telhado de Zinco Quente", clássico de Tennessee Williams,
A peça conta a história de uma família obcecada pela herança do patriarca doente