A bailarina Ana Paula Oliveira contracena com um pássaro na videoinstalação "Pé no Chão", que será apresentada neste domigo (20), a partir das 15h, no canal do YouTube da Apu Produções. 

O proejto surgiu da necessidade de Ana Paula se reinventar para seguir adiante, após ter sofrido uma queda que a tirou do Corpo. “A partir dessa busca, através de profundos mergulhos por meio da dança e da psicanálise surgiu a inspiração para a obra", explica.

Ana Paula tem 20 anos de carreira profissional e foi integrante do Grupo Corpo, Cia de Dança do Palácio das Artes, Grupo 1º Ato, Grupo Meia Ponta e Grupo Camaleão até ter a profissão precocemente interrompida, devido a um acidente no palco, em 2009, na estreia do balé “Ímã” do Grupo Corpo.

A inspiração para essa linguagem poética surgiu do resgate da recém-nascida pardoquinha Lis depois de uma noite de vendaval, durante uma das imersões do processo criativo da bailarina no campo.

“Como o ninho não foi encontrado e muito menos os pais apareceram, Lis passou a fazer parte da minha vida”, lembra Ana Paula. “Lis é sobrevivente, um milagre! E além de tudo, trouxe uma alegria mágica pra minha dança que vem sendo ressignificada”, completa. 

Atualmente, além de realizar performances e atuar no campo das artes pela Apu Produções, Ana Paula Oliveira é estudante de psicanálise no Instituto de Psicanálise e Saúde Mental de Minas Gerais (IPSM-MG).

Ela assina a concepção, direção artística e coreográfica, enquanto a direção audiovisual é de Eder Santos, um dos maiores nomes da multimídia no Brasil e no exterior.

“Foi uma aventura realizar esse projeto. Lis é bonitinha demais e parecia que estava entendendo tudo e adorando dançar com a Puia (Ana Paula) durante a gravação”, conta Santos.

A trilha sonora original foi composta pelo músico, compositor e bandolinista Marcos Frederico e contou com a participação especialíssima do músico Paulo Santos - percussionista, multi-instrumentista, compositor e co-fundador do Grupo Uakti. 

“A criação da trilha foi um processo bem natural e leve. Fui tocando junto com a Lis, experimentando com a Puia (Ana Paula), sempre com o instrumento na mão”, conta Marcos Frederico. 

O trabalho musical peculiar de Paulinho Santos entra trazendo para a trilha sonora novas  texturas, que resultam em efeitos sonoros distintos. “A música conta a história de Lis ter sido encontrada no mato e depois vivendo na cidade. Esses dois cenários são bem claros”, diz.

“A passarinha gostou do meu som. Eu fui aprovado pela atriz principal, a Lis”, brinca o ex-Ukti, que destaca também a parceria com Eder Santos. “Éder é meu parceiro de muitos trabalhos, há muitos anos, e sempre com um alto nível de excelência”, ressalta.