Baixista do Pato Fu e líder da banda The Presley’s Band, Ricardo Koctus é naturalmente associado ao universo do rock. Mas o músico mostra que sabe trafegar por outros universos em seu segundo álbum solo, “Samba Bossa Rock n’ Roll”, que está recheado de sambas, bossas e outros ritmos brasileiros, e praticamente nada do gênero que ele conhece tão bem. “O rock está presente por meio do meu passado e da minha atitude”, conta o músico. 
 
Realizado com recursos da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, o álbum não foi concebido logo de cara como um trabalho de ritmos brasileiros. A ideia inicial era fazer um disco dançante, influenciado pela black music, mas tudo mudou a partir de uma opinião da esposa de Ricardo, Ana. “Eu componho de madrugada e ninguém cria uma música mais pesada nesse horário. As músicas sempre nascem como uma bossa, mais tranquilas. Foi a Ana quem disse ‘porque você não mostra a música do jeito que está? Assim está lindo’”, lembra.
 
Parcerias
 
Para a realização desse trabalho, Ricardo contou com vários parceiros. A produção ficou com Barral Lima (que já havia produzido o primeiro) e o selo Ultra Music. Os músicos que o acompanharam foram os integrantes do grupo de choro Toca de Tatu – com direito a arranjos do jovem violonista Lucas Telles. Há ainda as participações de Elba Ramalho – no forró “Pluma” – e da filha Maria, de 7 anos, na música que ganhou o nome dela. 
 
As parcerias seguem no processo de divulgação do trabalho. Os jornalistas Élcio Paraíso e Liliane Pelegrini assumiram a divulgação do álbum em redes sociais – as músicas estão sendo postadas em pílulas e recebendo bem mais clicks do que a divulgação do primeiro trabalho, “Koctus” (2010) –, enquanto o estilista Victor Dzenk será o responsável pelo figurino dos shows – que terão início dia 13 de abril, no Teatro Alterosa.
 
Público de Koctus não é o mesmo do Pato Fu
 
A todo momento, Ricardo Koctus se depara com pessoas que acreditam que seu caminho é facilitado por ser integrante de uma banda conhecida nacionalmente. Mas o músico explica que não é bem assim. 
 
Desde o álbum “Toda Cura para Todo o Mal” (2005), o Pato Fu é uma banda independente, não conta com investimento de marketing de uma grande gravadora – no auge do sucesso, o contrato era com a Sony. 
 
Além disso, ser integrante de uma famosa banda de rock não facilita o trabalho solo. Assim como o titã Sérgio Britto, que tem que batalhar um espaço para mostrar sua MPB, Koctus começa do zero.
 
“Não acredito que consiga transferir o público do Pato Fu para os meus shows. Não funciona assim. Tenho, na verdade, que construir um público próprio. Sinto que o aumento de clicks sobre as minhas postagens na internet tem a ver com um trabalho que já venho construindo desde o primeiro disco, em 2010”, afirma Koctus.
 
E por falar em Pato Fu, após a ótima recepção do projeto “Música de Brinquedo”, a banda está parada, para que os integrantes possam tocar seus projetos próprios. Assim como Koctus, Fernanda Takai tem novidade. Seu “Na Medida do Impossível” (Deck) tem lançamento previsto para 18 de março. 
 
Elvis
 
Cover de Elvis Presley, a The Presley’s Band é encarada por Ricardo Koctus como um hobby. A banda tem dificuldade de entrar no disputado mercado de casas noturnas de Belo Horizonte por mostrar ao público o lado B de um artista popular.
 
“As pessoas esperam que o cover de Elvis seja feito por alguém vestido como ele. Isso não tem nada a ver comigo. Preferi concentrar o repertório no rockabilly, tocando sucessos e outras que não são tão conhecidas. É quase um show autoral, pois apresenta novidade ao público”, diz Koctus.