Promete. E muito. Domingo (8), a partir das 14h, sob o Viaduto Santa Tereza, e com direito ao tradicional Duelo de MCs, acontece o lançamento da HQ “Baixo Centro” (R$ 24), primeira novela gráfica do quadrinista Jão, em parceria com o professor e poeta Rafael. A chancela é da Editora Miguelim, que optou por um formato pouco usual para a empreitada: maior que o tradicional, e que transforma os quadrinhos em quadros. Em foco, dois protagonistas de uma história de aventura percorrem espaços públicos da capital mineira, como o viaduto Santa Tereza, a Praça da Estação, a Avenida Afonso Pena e as ruas da Bahia e Sapucaí.

Lugares “pra” lá de familiares a Jão, que começou a ter contato com a região quando ainda morava no Barreiro, e ao se deslocar para o Centro, sempre parava por ali, na Praça da Estação. Mais tarde, Jão se mudou para a região, mais precisamente, para a rua Carijós. “Aí passei a frequentar mesmo (o Baixo Centro)”. Hoje, Jão não mora mais por lá, mas não deixa de se dirigir à região com constância, seja para eventos específicos (como o Festival Internacional de Quadrinhos, o FIQ) ou simplesmente para visitar pontos emblemáticos da cidade, como o Edifício Central.

Amadurecimento

Na verdade, o embrião da história agora transformada em livro pode ser localizado em 2013. “Fiz uma história curta – teria 16 páginas – a ser lançada de forma independente. Mas, na verdade, gosto de guardar meus escritos, para deixar as ideias amadurecerem”.

Foi, pois, no final de 2014, ainda no rescaldo da polarização fruto das eleições presidenciais, que ele teve um insight. “Percebia aquele discurso de ódio, ao mesmo tempo em que se falava muito em fazer justiça com as próprias mãos. E percebi que a história tinha a ver com este momento, por trazer questões morais meio ambíguas. Porque o entendimento de algumas situações vai depender do leitor (referindo-se ao fato de, em meio à trama, haver uma perseguição). Se este não for, por exemplo, a favor da justiça com as próprias mãos, ou mesmo do linchamento, vai ler e achar que não há motivos para eles (os personagens) correrem. Já um outro, pode achar que são vilões”, diz Jão, ressaltando o papel importante que Rafael teve na empreitada, ao trazer princípios da Filosofia que acabaram por enriquecer a história.