Imagine uma banda comandada pelo produtor Liminha e formada por alguns dos principais nomes do rock nacional – no caso, Dado Villa-Lobos, João Barone, Leoni e Toni Platão. Adicione as vozes especiais de André Frateschi, Marjorie Estiano, Paulo Miklos e Sandra de Sá. Quem estiver em Belo Horizonte poderá conferir esse time de estrelas amanhã. E melhor: curtindo o repertório dos Beatles.

O supergrupo reunido por Liminha é o principal destaque da segunda edição do projeto “Banco do Brasil Covers”, que teve início no ano passado, passou por cinco capitais brasileiras e finalmente chega a BH. No fim de semana, haverá, ainda, homenagens a Cazuza, feita por Maria Gadú, e a Zé Ramalho, realizada por Zeca Baleiro – todos os shows dirigidos por Monique Gardenberg. Da primeira edição do projeto você deve lembrar: viajaram Maria Bethânia (cantando Chico Buarque), Sandy (Michael Jackson) e Lulu Santos (Roberto Carlos).

De acordo com Liminha, quem for assistir ao show dedicado aos Fab Four não encontrará uma apresentação fidedigna. “Quando se fala em cover, pode-se ter uma ideia errada do projeto. A gente não faz cover dos Beatles, mas trabalha o repertório com rearranjos, colagens, sonoridades novas. Ninguém gravou Beatles melhor do que os Beatles, nem Aretha Franklin”, diz o produtor, que assina os arranjos, mas contou com sugestões dos amigos.

Para chegar ao show ideal, o grupo experimentou 60 músicas dos Beatles e selecionou as 25 que foram incorporadas à apresentação. “Foi uma escolha estética, onde a banda se sentia melhor tocando. Foi um processo fácil e prazeroso. Eu sugeria coisas e via que estava todo mundo ávido por experimentar aquilo”, diz Liminha, que atualmente está envolvido com a produção de um álbum de Paula Toller e dando um gás no projeto intitulado Shinkansen, formado por ele com Toninho Horta, Jaques Morelenbaum e Marcos Suzano. l

“Banco do Brasil Covers”: Dado Villa-Lobos, João Barone, Leoni, Toni Platão e Liminha tocam Beatles amanhã, às 21h; Maria Gadú canta Cazuza no sábado, às 21h; Zeca Baleiro canta Zé Ramalho, domingo, às 20h. No Grande Teatro do Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1537, Centro). Plateia I: R$100 e R$50 (meia); Plateia II: R$80 e R$40 (meia); Plateia Superior: R$40 e R$20 (meia)

Zeca Baleiro insere canção inédita de Zé Ramalho na apresentação

A noite de sábado do projeto “Banco do Brasil Covers” em Belo Horizonte será roqueira. O repertório, interpretado por Maria Gadú, reúne 20 grandes canções de Agenor de Miranda Araújo Neto, o Cazuza (1958- 1990). Clássicos como “O Nosso Amor a Gente Inventa”, “Ideologia” e “Faz Parte do Meu Show” estão no repertório.

Já no domingo, a música nordestina ganha destaque. Vai ser a vez do maranhense Zeca Baleiro homenagear um de seus principais mestres, o paraibano Zé Ramalho. “O início da carreira do Zé foi arrasador, e coincidiu com o momento em que começava a aprender violão, me interessar mais por música. Então, aquelas canções me bateram de um modo muito forte”, conta Zeca Baleiro.

Houve um momento no início da carreira de Zeca em que os dois se tornaram amigos e parceiros. Zé Ramalho chegou a participar de seu segundo disco, “Vô Imbolá” (1999), fazendo um dueto na faixa “Bienal”. Também já compuseram duas músicas juntos, sendo que Zé Ramalho gravou “O Rei do Rock” – que integra o álbum “Parceria dos Viajantes”, de 2007, e entrou para o set list desse projeto.

Afetivo

Para o desenvolvimento da apresentação, Zeca não se preocupou em caçar pérolas escondidas na discografia do artista paraibano. Fez uma escolha afetiva, sem deixar de lado as músicas mais conhecidas pelo grande público, como “Avohai”, “Ave de Prata” e “Táxi Lunar”. Os principais destaques da noite devem ser “Garoto de Aluguel” – acompanhada por um vídeo feito por Monique Gardenberg – e “Repente Cruel” – inédita em disco.

“Não dá para cantar a obra de um compositor popular como o Zé sem visitar seus clássicos, mas vislumbrei nesse show a oportunidade de também cantar canções que eu gosto, mas que não foram grandes sucessos”, afirma o músico maranhense, que procurou respeitar as melodias e harmonias do material original.

“Quanto aos arranjos, será um mix, terão nosso tempero, mas as músicas soarão como músicas do Zé Ramalho”, adianta Zeca, um eterno interessado em dar suas versões para composições alheias – basta lembrarmos do “Baile do Baleiro”, com repertório bastante popular, e de suas famosas gravações para “Proibida pra Mim” (Charlie Brown Jr) e “Disritmia” (Martinho da Vila”).