Reza a lenda que Belo Horizonte é a cidade que abriga mais beatlemaníacos por metro quadrado, superando até mesmo Liverpool. Verdade ou não, é grande a expectativa para a estreia do documentário “The Beatles: Eight Days a Week – The Touring Years”, que programa sessões de hoje a domingo no Belas Artes (19h) e Pátio Savassi (21h). 

“Quero ir ao menos em uma sessão por dia”, afirma o produtor cultural Jeová Guimarães, 61 anos, argumentando que a cada vez se percebe um novo detalhe, algo que passou despercebido. 

Outra motivação é rever amigos que não encontra há algum tempo. “Vamos ficar naquele papo de velho lembrando o passado”, brinca, revelando que o documentário é pauta das conversas nas suas rodas de amigos e grupos no WhatsApp. 

Mas esse não é o primeiro trabalho audiovisual l estrelado por John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr que Jeová assiste nos cinemas. Aos 15 anos, ele conferiu “Let It Be”. Naquela época a primeira exibição era às 10h e a última terminava a meia-noite. “Entrávamos no primeiro horário e ficávamos até o último. Para não pagar ingresso novamente nos escondíamos no banheiro”, rememora.

Dirigido por Ron Howard, o longa promete abrir um baú de recordações da época em que o mundo conheceu os Beatles, entre 1962 e 1966

Fã do quarteto desde os nove anos de idade, Jeová é figura conhecida no universo beatlemaníaco da capital, que não é pequeno. Há 12 anos, o “dono da mão que encostou em Paul McCartney” usa somente camiseta dos Beatles, em toda e qualquer ocasião. “Para ir a um casamento coloco uma calça jeans, sapato, camiseta dos Beatles e um blazer. Pronto, sou o cara mais elegante da festa”, garante. E o produtor não passa um dia sem ouvir uma música do quarteto. 

A sala de sua casa, transformada em escritório, não tem mais espaço nas paredes. Tudo foi preenchido com pôster do Fab Four. Sem falar na coleção completa de vinis, CD’s e livros. “Beatles não é só música. É um estilo de vida. Durante minha vida procurei fazer o que propuseram nas músicas. Tanto que acredito que a saída para o mundo é a paz”, observa.

 


Nova Geração

 

Bernardo Cançado
Bernardo tem como meta ir a Liverpool em 2018


O analista de redes sociais Bernardo Cançado, 29 anos, se prepara para ir em duas sessões do documentário, com a namorada e um amigo. Ele se orgulha em trabalhar com bandas cover de Beatles e integrar a equipe de produção do maior festival do Brasil dedicado ao quarteto, a “BH Beatle Week”. Mas confessa que na infância torcia o nariz para bandas internacionais. “Na adolescência fui ver que as bandas que eu gostava faziam covers, e alguns deles era de músicas dos Beatles. Então mergulhei na carreira deles”.

De lá para cá, ouviu a discografia completa e conferiu a filmografia. “Alguns filmes são de qualidade duvidosa, mas ao menos Beatles é garantia de boa trilha sonora”, diz.

A expectativa para ver os Beatles no cinema pela primeira vez é grande. “Vou duas vezes porque é uma exibição limitada e não sabemos quando esse tipo de material vai chegar ao Brasil”, justifica.

Bernardo confessa que prefere salas de cinema mais vazias, por causa de barulhos que atrapalham a apreciação da película. Mas neste caso quer ver salas lotadas. “É uma realização de ver que esse sonho não morreu”. 

Quando foi conferir o show de Paul McCartney, o rapaz chegou a passar mal antes de entrar no evento. “Estava na fila desde as nove horas da manhã. Tive insolação. Foi cansativo, mas fiquei na grade de frente para o palco”, comemora.  

Em 2015, ele participou do projeto fotográfico Rock Your Photo, de Caio Araújo, no qual escolheu uma música para ser tema de um ensaio fotográfico. “In My Life” foi a escolhida. “O ensaio rendeu 21 fotos e coincidentemente a música tem 21 versos. Nos demos conta disso depois. Coisas que só acontece no universo beatlemaniaco”, assegura. 

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