Wilson Baptista talvez tenha sido um dos fotógrafos que mais se dedicaram a retratar Belo Horizonte e suas transformações ao longo do século passado. De seu acervo de cerca de 30 mil negativos, 44 estão em exposição até 25 de maio na Câmara Sete Casa da Fotografia de Minas Gerais, um espaço que fica ao lado de um dos pontos mais retratados por ele: a Praça Sete e seu entorno, no centro de Belo Horizonte.

Com curadoria de Paulo Baptista, fotógrafo, professor e filho de Wilson, a exposição traça não só uma linha do tempo da singularidade cotidiana de Belo Horizonte, mas possibilita, também, encontrar formas e composições autônomas derivadas de objetos familiares que se transformam em belíssimas torres e geometrias dos altos edifícios.

Segundo Marconi Drummond, artista plástico e um dos autores, juntamente com os professores da UFMG Renata Marquez e Paulo Baptista, do livro “Wilson Baptista – Urbano Fotográfico”, o olhar de Baptista revela momentos que definem o que a cidade é hoje. “Há uma espécie de arqueologia urbana, uma prospecção de momentos de Belo Horizonte que, com o passar do tempo, desapareceram. Trata-se do passado urbano, das edifi-cações, formas de sociabilizar e de como a própria população ocupava a cidade”, explica.

O trabalho de Wilson Baptista captura momentos-chave da história de Belo Horizonte, como a abertura da avenida Amazonas, flagrantes do Parque Municipal, procissões, a construção do edifício Acaiaca e até um acidente de bonde no viaduto Santa Tereza.

“As fotografias guardam um tom saudosista de uma cidade mais afetuosa, menos violenta e mais acessível. Em certa medida, podemos dizer que esse olhar é testemunha da BH que já teve essas características, mas que hoje se transformou numa cidade caótica. Trata-se de um lote de trabalhos que apresenta um olhar muito afetuoso e singular sobre a cidade”, observa Marconi.

A série que documenta a abertura da avenida Amazonas veio a público 70 anos depois, como parte da exposição “Escavar o Futuro”, em 2013, no Palácio das Artes. O fotógrafo também participou da exposição “Segue-se ver o que quisesse – um registro da vida cotidiana de Minas Gerais”, em 2012, e das mais recentes “Habitáculo”, no Cine Theatro Brasil Vallourec e “Horizonte Moderno”, no Minas Tênis Clube, ambas em 2015.

Apesar de ter começado a fotografar aos 12 anos, Wilson Baptista considerava-se amador, e continuou fotografando até o final da sua vida, aos cem anos de idade.

Mostra de fotografia de Wilson Baptista

Curvas do Edifício Niemeyer, na Praça da Liberdade, foram retratadas por Wilson Baptista

Serviço

Exposição Wilson Baptista: Urbano Fotográfico

Período: 27 de fevereiro a 25 de maio

Local: Câmera Sete

Endereço: Av. Afonso Pena, 737 - Belo Horizonte

Horário: de terça a sábado, das 9h30 às 21h

Entrada gratuita