Após seis edições concentrado na Estação Vilarinho, o “BH Music Station” decidiu seguir direção totalmente oposta. Dessa vez, o evento noturno sai da capital para ocupar o outro extremo da linha, um lugar totalmente desconhecido para os usuários do metrô: a oficina de máquinas localizada em Contagem, bem próxima à Estação Eldorado, na Grande BH.

No total, são 18 atrações, quatro delas nos palcos montados no que foi chamado de Estação Oficina. Destaque para as duas principais – o ex-Los Hermanos Rodrigo Amarante e a Orquestra Imperial –, mas essa também será a oportunidade para ter contato com artistas menos conhecidos.

A maior novidade é Mustache & Os Apaches, que se apresenta na capital mineira pela primeira vez. Nascida em 2011, a partir da reunião de quatro gaúchos e um mineiro, a banda ganhou atenção pela proposta diferenciada. Influenciado pelas jug-bands (grupos que tocam com instrumentos caseiros ou improvisados) americanas e por artistas de rua, o quinteto teve início com minishows nas calçadas de São Paulo, passando o chapéu. Chegavam a fazer dez apresentações em um mesmo dia, em endereços diferentes. No repertório, músicas inspiradas no jazz da primeira metade do século 20.

“O início nas ruas é início, meio e fim. Continua presente até hoje. Sempre que dá, fazemos um som por aí. Aprendemos a dialogar verbalmente e musicalmente com o público e tentamos trazer esses diálogos nas nossas composições”, afirma o guitarrista Jack Rubens.

“Quando saíamos à noite, tocávamos em cerca de dez bares por noite, quatro músicas por bar”, emenda.

Rubens conta ainda que a banda deve preparar o segundo álbum em 2015.

Antes dessa empreitada, a banda vai divulgar o compacto “Chuva Ácida”, previsto para sair em fevereiro do ano que vem.

Confira trechos da entrevista com Jack Rubens, guitarrista do Mustache & Os Apaches:

Como e quando nasceu a banda? Desde o início já teve esse conceito diferenciado? Qual foi a principal influência?

A banda nasceu em dezembro de 2011, sem muitas pretensões. O negócio era tocar na rua, de bar em bar, passávamos o chapéu para sobreviver. Não teve uma principal influência, foram muitas além das jug-bands e das bandas de pife do nordeste, de Zabé da Loca a New Order. Além da influência direta dos amigos do circo e da música de rua, como Mauro Bruza e o Conjunto Bluegrass de Porto Alegre. A nossa peculiaridade veio de forma natural, gosto instintivo por misturar temperos bizarros.

Como foi esse início nas ruas? De que forma isso foi importante para a carreira do grupo?

O início nas ruas é início, meio e fim. Continua presente até hoje. Sempre que dá, fazemos um som por aí. Aprendemos a dialogar verbalmente e musicalmente com o público e tentamos trazer esses diálogos nas nossas composições. De dia na rua, abríamos umas 5 rodas de 30minutos. Quando saíamos à noite, tocávamos em cerca de 10 bares por noite, quatro músicas por bar. Ou seja, centenas - às vezes, milhares - de pessoas atingidas em cada uma dessas empreitadas.

Qual é o público da banda?

O público da banda é realmente diverso. Já tocamos em creches, lares de idosos, inferninhos, ricos e pobres. Tocamos para o gado uma vez também, mas os bichos ficaram assustados. E em nossos shows costumamos reunir toda essa miscelânea.

O washboard (uma tábua de passar, tocada por Lumineiro) é um instrumento usado por outras bandas ou inventado por vocês?

Talvez o washboard tenha se originado ainda na África como instrumento. Sabe-se que era usado nos primórdios do jazz e do blues, ainda no século XX.

É verdade que vocês fazem suas roupas? Alguém com talento de alfaiate na turma?

Acho que todos temos agulha e linha em casa, para um eventual rasgão. Eu gosto de customizar algumas roupas. Ao invés de doá-las quando envelhecem, eu as modifico. O Axel é o nosso Thoreau, sóbrio e econômico. O Pedro faz o estilo tramp também. O Tomas é meio russo e gosta de mesclar listras com xadrez e petit Poá. O Lumineiro cuida do estilo como do bigode. A nossa amiga Julia, da AILA cria alguma coisa para nós todos também.

Assista o vídeo da banda abaixo:

 

 

O primeiro álbum de Mustache  & Os Apaches, homônimo, pode ser ouvido e baixado no site, clique aqui