“Estamos vendo revelar nas pessoas o desejo de ódio, mas lutamos pela voz comum. A importância do slam é ser esse lugar de fala da comunidade negra, da comunidade LGBT. É o nosso lugar de resistência”. Assim Roger Coelho, organizador do Slam Clube da Luta e fundador do Coeltivoz – Sarau de Periferia, justifica a importância do slam, como são conhecidas as competições de poesia falada.

No final de semana, Belo Horizonte recebe as finais do Slam MG e do Interescolar BR 2018. Nas disputas, cada participante tem até três minutos para recitar poemas autorais. “Cada poeta recita sem usar figurino, elementos de cena ou acompanhamento musical”, explica Coelho. A performance é avaliada por cinco jurados, que dão notas de zero a dez.

Os vencedores da seletiva mineira participam da etapa nacional, que acontece em dezembro em São Paulo. De lá é escolhido um representante brasileiro para a competição mundial, que acontece em Paris. A disputa, inclusive, já contou com um participante mineiro em 2015. “No primeiro slam estadual tivemos um representante, o João Paiva, na eliminatória nacional. Ele venceu e representou o Brasil no mundial”, lembra Coelho.

Já no nível interescolar, o vencedor nacional será conhecido em Belo Horizonte. “Além de Minas Gerais, fechamos com representantes de São Paulo e do Espírito Santo”, conta o organizador.

Para custear a vinda dos participantes, foi lançada uma campanha de financiamento coletivo. “Estamos tentando levantar o valor de 10 mil reais. Mas a arrecadação ainda está baixa. Nas últimas semanas, com o envolvimento no cenário político, as pessoas não estavam colaborando muito. Mas vamos intensificar a campanha a partir de agora”, diz o organizador, ressaltando que é possível contribuir pelo site benfeitoria.com/slammg
 

Trajetória

O Poetry Slam foi um movimento criado há 25 anos, nos Estados Unidos. Atualmente são mais de 500 comunidades espalhadas pelo mundo, 150 delas no Brasil. Em Belo Horizonte, a história do movimento começou em 2014, depois de uma visita feita aos slams de São Paulo.

Com a inspiração paulista, Coelho organizou o Slam Clube da Luta, no Barreiro, primeira competição do gênero na cidade, que segue atuando mensalmente na capital. “Ele é aberto a todas as pessoas que tem poemas. Mas, ultimamente tem se intensificado muito os conteúdos de poesia marginal, de resistência contra o racismo, contra o machismo, e contra todo o tipo de exclusão. Temas que estão presentes no cenário político do país e que tem aumentado muito, principalmente esse ano”, diz ele.

Há ainda outros movimentos de destaque, como o Slam do Amor, em Sarzedo, na Região Metropolitana e também o Slam das Manas, feito apenas por mulheres. “Nossa intenção é proliferar os lugares que dão espaço para se ouvir vozes, principalmente a dos oprimidos, dos excluídos. Ter um espaço onde essas pessoas possam se sentir abraçadas, protegidas e ver que não estão sozinhas, mesmo em períodos de proliferação do discurso de ódio”, reitera.

SERVIÇO: Slam MG e Slam Interescolar, sexta-feira, das 13h às 18h no Teatro Espanca! (Rua Araão Reis, Centro), com entrada gratuita e no sábado, das 14h às 18h, no Sesc Palladium ( rua Rio de Janeiro, 1046 – Centro), com ingressos a R$ 2