O cinema “com causa” ocupa a tela do MIS Cine Santa Tereza até 31 de outubro, com filmes e documentários de enfoque socioambiental. “Não se trata de uma mostra de entretenimento, mas de uma plataforma de informação e conhecimento por meio do audiovisual para debater os problemas contemporâneos que dizem respeito fundamentalmente à cidadania”, explica Chico Guariba, criador e diretor da Mostra Ecofalante, que chega à oitava edição e contempla Belo Horizonte pela primeira vez, dentro do circuito itinerante que já passou por São Paulo, Rio de Janeiro e também começa hoje na cidade de Santos (SP).

Criada em 2003, a ONG Ecofalante produzia filmes sobre educação e desenvolvimento sustentável para exibição em escolas, festivais e na TV pública, e começou a mostra em 2012. “A oportunidade de ver o filme nessa imersão dentro da sala de cinema, fechado naquelas quatro paredes, é diferente da televisão, possibilita se identificar com o tema, se sentir atingido, ampliar o universo de sensações e de sensibilidade”, ratifica o diretor da mostra, que chama a atenção para o caráter global dos filmes. “O cinema tem esse poder profundo de mostrar mundos diferentes. Aprendemos como o capitalismo transforma a vida das pessoas no planeta”, diz Chico Guariba.

BEM VINDO A SODOMA

Produção austro-ganesa "Bem-Vindo a Sodoma" acompanha a realidade de quem vive no maior depósito de lixo eletrônico do mundo, no aterro Agbogloshie, em Gana

Tal visita a realidades longínquas e ao nosso lado abarca os 6 mil homens e mulheres que trabalham no maior depósito de lixo eletrônico do mundo, localizado em Gana, no filme “Bem Vindo a Sodoma”. Há relatos da calamidade pública da saúde na Venezuela em “Está Tudo Bem”, a epidemia da doença viral em Serra Leoa na película “Ebola: Sobreviventes”, ou os tsunamis de lama que atingiram tanto Mariana em 2015, na produção brasileira “O Amigo do Rei”, quanto 16 vilarejos na Indonésia em 2006, no longa norte-americano “Vulcão de Lama: A Luta Contra a Injustiça”, dirigido por Sasha Friedlander e pela vencedora do Oscar Cynthia Wade. “O objetivo é sair dessa emoção e debater, que é o fundamental da mostra”, garante Chico Guariba.

Homenageado

Em BH ainda não haverá debates este ano. Trata-se ainda de um projeto piloto na capital mineira. Mas quem for ao Cine Santa Tereza poderá assistir três obras de Sílvio Tendler. Depois de nomes como Adrian Cooper, Jorge Bodansky e Chico Mendes, o cineasta carioca é o homenageado deste ano com os longas “Utopia e Barbárie”, “Dedo na Ferida” e “Fio da Meada”.

“Acho que o cinema e a arte têm causa, mesmo que seja a própria defesa da liberdade da arte, que já é uma causa em si”, destaca o diretor de documentários sobre figuras históricas como JK, Jango e Tancredo e que, atualmente, trabalha em um filme autobiográfico e outro sobre o poeta Ferreira Gullar. “Nunca faço só um projeto, cansa muito”.

8ª Mostra Ecofalante de Cinema

(MIS Cine Santa Tereza - R. Estrela do Sul 89, Santa Tereza / Praça Duque de Caxias)

Quinta-feira (17)
17h30 - Mulheres Contra a AIDS, de Harriet Hirshorn (EUA, 2017)
19h30 - Utopia e Barbárie, de Sílvio Tendler  (Brasil, 2009)

Sexta-feira (18)
17h30 - Ebola: Sobreviventes, de Arthur Pratt (Serra Leoa/EUA, 2018)
19h30 - Utopia e Barbárie, de Sílvio Tendler (Brasil, 2009)

Sábado (19)
17h - Superalimentos, de Ann Shin (Canadá, 2018)
19h - O Fio da Meada, de Sílvio Tendler (Brasil, 2017)

Domingo (20)
17h - Frente Atômica, de Rebecca Cammisa (EUA, 2017)
19h - CURTA Alma Bandida, de Marco Antônio Pereira (Brasil, 2018)
19h - CURTA 32-Rbit, de Victor Orozco Ramirez (México/Alemanha, 2018)
19h - GIG - A Uberização do Trabalho, de Carlos Juliano Barros, Caue Angeli e Maurício Monteiro Filho (Brasil, 2019)

Terça-feira (22)
17h30 - CURTA Caçador, de Leonardo Sette (Brasil, 2018)
17h30 - O Espanto, de Martín Benchimol e Pablo Aparo (Argentina, 2017)
19h30 - CURTA Meteorito, de Mauricio Sáenz (México, 2018)
19h30 - O Quadrado Perfeito, de Pablo Bagedelli (Argentina, 2018)

Quarta-feira (23)
17h30 - Pra cima, pra Baixo e pros Lados: Cantos de trabalho, de Anushka Meenakshi e Iswar Srikumar (Índia, 2017)
19h30 - Golpe Corporativo, de Fred Peabody (Canadá/EUA, 2018)

Quinta-feira (24)
17h30 - CURTA Stratum, de Jacob Cartwright e Nick Jordan (Inglaterra, 2018)
17h30 - Sinfonia Industrial, de Jasmina Wojcik (Polônia, 2018)
19h30 - Dedo na Ferida, de de Silvio Tendler (Brasil, 2017)

Sexta-feira (25)
17h30 - CURTA Palenque, de Sebastián Pinzón Silva (Colômbia, 2017)
17h30 - Filhos de Macunaíma, de Miguel Antunes Ramos (Brasil, 2019)

Sábado (26)
17h - CURTA Entremarés, de Anna Andrade (Brasil, 2018)
17h - Parque Oeste, de Fabiana Assis (Brasil, 2018)
19h - O Amigo do Rei, de André D’Elia (Brasil, 2019)

Domingo (27)
17h - CURTA Carga Alheia, de Auguste Denis, Emmanuelle Duplan, Valentin Machu e Melanie Riesen (França, 2017)
17h - A Verdade sobre Robôs Assassinos, de Maxim Pozdorovkin (EUA, 2018)
19h - Um Filósofo na Arena, de Aarón Fernández e Jesús Muñoz (México/Espanha, 2018)

Terça-feira (29)
17h30 - A Cidade do Futuro, de Chad Freidrichs (EUA, 2017)

Quarta-feira (30)
17h30 - CURTA Mesmo com Tanta Agonia, de Alice Andrade Drummond (Brasil, 2018)
17h30 - Está Tudo Bem, de Tuki Jencquel (Venezuela/Alemanha, 2018)
19h30 - Vulcão de Lama: A Luta Contra a Injustiça, de Cynthia Wade e Sasha Friedlander (EUA, 2018)

Quinta-feira (31)
17h30 - CURTA À Cura do Rio, de Mariana Fagundes (Brasil, 2018)
19h30 - Empate, de Sérgio de Carvalho (Brasil, 2018)