“A cultura não é um ‘penduricalho’ a mais”, afirma o presidente da Fundação Municipal de Cultura (FMC), Leônidas Oliveira, ao comentar a importância do 1º Fórum Mundial de Formação em Arte e Cultura, que será realizado no Teatro Francisco Nunes e no Parque Municipal, de hoje até sexta-feira. Um dos objetivos do evento é fomentar a descentralização da cultura. Para tanto, nomes de destaque de diferentes partes do mundo foram convidados para participar de debates e trocar experiências, a partir de diálogos sobre projetos e ações formativas no campo da cultura e da arte. 

Superando as expectativas, as inscrições, gratuitas, esgotaram na semana passada. “As pessoas são ávidas (por cultura). Pesquisas têm mostrado que os turistas veem para BH para ver cultura. Por isso, precisamos manter projetos como estes, apesar da crise”, avalia Leônidas.

Sem público-alvo restrito, as inscrições foram feitas por pessoas de todas as regiões da cidade e do Brasil. Para o presidente da FMC, a propagação do evento deve-se ainda especialmente ao trabalho que vem sendo desenvolvido pela Escola Livre de Arte (ELA), antiga Arena da Cultura, institucionalizada pela administração municipal em 2014. O fórum é, inclusive, uma resposta ao reconhecimento da ELA concedido pelo “Prêmio Internacional CGLU – Cidade do México – Agenda 21 da Cultura”, da Rede Internacional Cidades e Governos Locais Unidos – CGLU.

Estrutura do fórum
Com participantes de países como Alemanha, Canadá, Colômbia, Guatemala e México, a ideia é ir para além da discussão regional. “O debate é mundial. A cultura não pode ficar restrita a núcleos fechados, a grupos artísticos”, afirma Leônidas. O presidente da FMC explica ainda que a programação se dará por meio de três eixos: formação artística como direito; metodologias de formação artístico-cultural; e território. “No primeiro deles, vamos discutir a função política, pois a cultura tem que estar na rota dos governos e não ser tratada como adereço”. Em relação à metodologia, o objetivo é levantar a questão da escola livre, na qual a vocação e a liberdade de expressão são temas centrais. 

Já o eixo território reforça o conceito de descentralização, a palavra-chave do fórum. “Temos o eixo Rio-São Paulo e BH aparece junto, mas como fica o Nordeste do Brasil? A falta de acesso à cultura é recorrente também em inúmeros outros lugares, como a África e os países árabes. E, se a cultura é um direito, o poder público tem que dar a resposta”, ressalta Leônidas.

Fórum Mundial de Formação em Arte e Cultura
Participação – Professores, coordenadores e alunos da Escola Livre de Artes também participarão do Fórum

Destaques
Entre os convidados estão o espanhol Jordi Pascual, coordenador do Programa Agenda 21 da Cultura e da Comissão de Cultura da Rede Cidades e Governos Locais Unidos; o alemão Ernst Wagner, coordenador executivo da Cátedra Unesco em Arte e Cultura na Educação da Friedrich – Alexander-Universidade; a mexicana Lucina Jiménez, coordenadora do La Nana – Cidade do México; e Doryan Jaime Bedoya, membro do Conselho Acadêmico da Associação Civil Caja Lúdica, Guatemala.
 
Representando o Brasil, a baiana Lydia Hortélio, etnomusicóloga, educadora e especialista em cultura da infância; e os mineiros Adelsin (artista plástico, escritor e pesquisador da cultura da infância) e Flávio Renegado (compositor, rapper e ex-integrante dos Circuitos Culturais Arena da Cultura), dentre outros. Os debates culminarão num documento a ser distribuído às mais de 500 cidades de todo o mundo que aderiram à Agenda 21. “A ideia é levar o Fórum para outros países”, indica Leônidas.