"No Brasil que estava em uma ditadura pesada, que  vivia uma situação depressiva, surge um lugar onde as pessoas iam para se divertir, para terem liberdade de pensamento, de escolhas, liberdades sexuais e políticas". Assim a bailarina e coreógrafa Deborah Colker define o significado da  Dancing´Days Discotheque, boate idealizada em 1976 e que marcou a década de 70 no Rio de Janeiro e no Brasil. Agora, pouco mais de quatro décadas depois, o espaço e sua história são celebrados no espetáculo "O Frenético Dancin'Days",  que fica em cartaz nesta sexta (12) e sábado (13) em Belo Horizonte.

A montagem  marca a estreia de Colker na direção de um musical. "Já tinha feito um espetáculo para o Cirque du Soleil, a abertura das Olimpíadas e outras tantas produções. Já fiz muita coisa, mas nunca tinha dirigido atores. Então foi uma experiência muito bacana", afirma a diretora.

Ela explica que para contar a história e destacar o significado da discoteca, o musical também coloca em cena a história dos fundadores da Dancin’Days. "Entendi que eu tinha que contar a história das pessoas que criaram esse lugar: O Djalma Limongi, um comunista que acreditava no Brasil. O Nelson Motta, que era um jornalista que fazia a ponte entre as pessoas. O Don Pepe, um negro pobre que conhecia muito a música. A Scarlet Moon, uma mulher visionária, e o Leonardo Netto, um cara do mundo do teatro e que era um cara gay. Naquele momento foi muito importante ter essas diferenças unidas", pontua Colker. 

Dividida em dois atos, a montagem acompanha a inauguração e o encerramento da boate, que durou apenas quatro meses, pois o contrato era limitado ao período que antecedia a abertura do Teatro dos Quatro.  "Esse último dia ninguém se lembra de nada direito. É uma grande lenda. Tem gente que diz coisas que aconteceram e que nunca existiram", conta Colker, que tem uma fonte segura para o que realmente aconteceu: Nelson Motta, que também assina o texto da peça. 

Importância

Apesar de tratar de uma discoteca e de um movimento que marcou o país há quatro décadas, Colker acredita que a peça é significativa, principalmente em um período de desvalorização da cultura. “O espetáculo parece um pouco uma resposta mostrando a importância da arte e principalmente da liberdade”, sublinha. Apesar de trazer na história essa mensagem, Colker ressalta que a produção não é panfletária. “Não é um espetáculo político. É um espetáculo que mostra a importância dessas coisas, da música, da dança. É um musical que recomendo para quem quiser dançar, se divertir”, diz.