“Bowie: A Biografia” (BestSeller), assinada por Wendy Leigh, foi lançada originalmente em 2014, mas chegou ao Brasil em um momento bastante oportuno: pouco tempo após a morte deste que foi um dos mais brilhantes nomes do rock, em janeiro passado. 

 

Mas é importante alertar: a leitura custa a engrenar. Wendy não possui uma escrita linear e a fragmentação narrativa pode ser um complicador quando o produto é uma biografia. 

 

A introdução já é amostra de como o texto de Wendy é fragmentado. Ela começa a narrar o casamento de David Bowie com Iman Mohamed Abdulmajid, em 2002, e no meio do caminho emenda histórias sobre a mãe de Bowie; o fascínio que o artista tinha pelas vestes do exército alemão; a assistente do cantor; o fato de ele ser canhoto e obrigado a escrever com a mão direita; entre outros assuntos aparentemente desconexos. 

 

No primeiro capítulo, que se propõe a ser uma apresentação sobre a infância do artista – filho de um relações públicas e de uma arrumadeira –, chega a ter um texto sobre uma amiga de Elizabeth Taylor que fez de tudo para conseguir um encontro amoroso com Bowie. Ou seja, uma história pouco interessante apresentada de forma deslocada.

 

Mas no decorrer do livro, Wendy caminha por uma trilha mais tradicional, com uma ordem cronológica definida. É quando a leitura passa a ficar um pouco mais interessante.

 

O medo de ter herdado algum gene da “loucura” (muitos parentes de Bowie foram internados) e a aproximação de gays poderosos de Londres, com a intenção de crescer na carreira, são alguns temas delicados abordados. 

 

Morte
No último dia 30, o corpo de Wendy Leigh foi encontrado no rio Tâmisa, em Londres. A polícia inglesa acredita que tenha sido suicídio. Além da biografia de Bowie, ela escreveu mais 15 livros, sobre John F. Kennedy, Patrick Swayze e outros.