Não são poucos os momentos em que “Bixa Travesty”, filme do diretor mineiro Kiko Goifman e de sua esposa Claudia Priscilla, exibe longos trechos musicais com a protagonista Linn da Quebrada, um dos nomes mais importantes do cenário LGBTQI da atualidade.

A explicação é simples: a música e o corpo são reflexos da maneira como Linn assume a sua sexualidade – o termo “bixa travesty” vem daí, explicitado na frase “eu sou travesti, feminino, mas com um lugar de bicha, que não é uma mulher”, que surge no início do filme.

“A primeira vez que vi um show da Linn, eu me encantei. A música traz uma narrativa, ao falar sobre a história dela, embora o filme não seja uma biografia”, registra Goifman, que hoje participará de debate no Cine Belas Artes, às 21h, ao lado do artista queer Ed Marte. 

O corpo tem relevância no filme e na trajetória de Linn na maneira como se transfigura e potencializa um discurso anti-machista e anti-racista. “É uma forma de discutir os corpos hoje em dia, daqueles que morrem nas periferias, que são os de negros e travestis”.

A ideia, porém, nunca foi a de fazer um filme de enfrentamento e de provocação– “Quando começamos (a produzir o filme), ninguém imaginava que teríamos uma presidência que excluiria da pauta questões como gênero e racismo”, frisa o realizador mineiro.

“Resolvemos fazer um filme com a Linn e não sobre ela. Há aí uma mudança de patamar, pois a gente nunca a tratou como objeto”, afirma Goifman, lembrando que a cantora também assina o roteiro, o que ajuda a fazer da obra menos um documentário e mais um grito de liberdade.